Agrociência

MIRTILO . A produtividade e o escalonamento da produção

Sérgio Martins e Arminda Lopes, Estação Agrária de Viseu

O mirtilo (Vaccinium corymbosum) é um arbusto que pertence à família das Ericáceas.
Trata-se de uma cultura recentemente introduzida no nosso país que encontra, na área de intervenção da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), condições edafo-climáticas propícias ao seu desenvolvimento.
A elevada necessidade de conhecimento acerca do comportamento desta espécie, conduziu à instalação de um campo experimental, em novembro de 2012, onde estão em estudo 20 cultivares, sendo que dez pertencem ao grupo Northen Highbush (Duke, Bluecrop, Bluegold, Huron, Chandler, Draper, Legacy, Liberty, Elliot e Aurora), oito ao Southern Highbush (Sharpblue, O´Neal, Star, Biloxi, Misty, Suziblue, Rebel e Camelia) e duas variedades ao grupo Rabbiteye (Powder Blue e Ochlockonee). Cada uma das cultivares está representada por 18 plantas, a um compasso de 2,7mx1,0m.

Este ensaio tem permitido recolher informação relevante no que se refere aos parâmetros de fenologia, produtividade, qualidade, escalonamento da produção, custos associados à colheita e monitorização de pragas e doenças. Outro aspeto importante é a sua vertente demonstrativa de algumas operações culturais, como por exemplo a poda. Neste trabalho apenas se aborda a produtividade e o escalonamento da produção, fatores que consideramos
determinantes para uma escolha criteriosa das cultivares a instalar. A estimativa destes dois parâmetros foi efetuada com base em colheitas bissemanais dos frutos considerados no seu estado ótimo de maturação, avaliado através coloração do mirtilo. No gráfico da figura 2 apresentam-se os resultados relativos à produtividade desde 2014, ano em que foi feita a primeira colheita, até 2016.

Fig.2: Produção acumulada entre 2014 e 2016 (t/ha)

Da análise do referido gráfico verifica-se que, de um modo geral, e como era espetável num pomar jovem que ainda não atingiu a produção cruzeiro, a produtividade foi aumentando ao longo do período em estudo. No entanto, as cultivares de sul Star, Misty e Suziblue, não obedeceram a este padrão pois, em 2016, tiveram uma quebra de produção significativa, provocada pelos fortes ataques de Botrytis, que surgiram como consequência da abundante precipitação ocorrida nos meses de abril e maio, período coincidente com uma fenologia muito sensível (floração/vingamento). É ainda de salientar os resultados obtidos pelas cultivares rabbiteye, Powder Blue e Ochlockonee que, nos três anos, atingiram produtividades acumuladas superiores a 22t/ha. Relativamente às cultivares de norte, a Duke e a Legacy têm-se revelado como as mais produtivas.
Quanto às datas de início da colheita (Figura 3) verificou-se um atraso em 2016, relativamente a 2015, o que se ficou a dever, principalmente, à amenidade do inverno e à ocorrência de um período de temperaturas muito baixas nas duas primeiras semanas de maio. Este desfasamento foi mais acentuado nas cultivares de Norte.
A figura evidencia ainda diferenças entre as cultivares no que se refere à extensão do período de colheita (mínimo Bluecrop – 21 dias, máximo Elliot – 46 dias), e ao padrão de distribuição da produção ao longo deste período. De um modo geral, todas as cultivares têm um pico de produção, sendo que a cultivar de sul Suziblue e a de norte Huron apresentam um período de colheita considerado homogéneo ao longo de toda a época produtiva.
Estes resultados evidenciam a importância da realização destes estudos que permitem uma melhor escolha das cultivares a introduzir em cada campo. Os calendários de produção disponíveis reportamse a condições edafo-climáticas que nem sempre se ajustam àquelas onde se vai proceder à instalação da cultura.

Fig.3: Escalonamento da Produção nos ciclos de 2015 e 2016

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