Agrociência

GRÃO-DE-BICO. Controlo de infestantes com o herbicida Challenge

José F. C. Barros, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologia, Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, Instituto de Investigação e Formação Avançada (IIFA), Universidade de Évora, Núcleo da Mitra, 7002-554 Évora, Portugal.

Resumo
No ano agrícola de 2015/2016, foi levado a cabo um ensaio de campo, na Herdade Experimental da Almocreva (Beja), com o objetivo de estudar o efeito do herbicida Challenge® (Aclonifen), no controlo de infestantes em pré-emergência da cultura do Grão-de-bico (Cicerarietinum L.). O herbicida foi aplicado em 4 doses (D1 – 2,5; D2 -3,0; D3 – 3,5 e D4 – 4,0 L/ha), em interação com 2 volumes de calda (V1 – 300 e V2 -400 L/ha). As infestantes presentes eram principalmente dicotiledóneas (folha-larga), sendo a população de infestantes monocotiledóneas (folha-estreita), insignificante. Os resultados obtidos mostraram uma elevada persistência do herbicida no solo, que se traduziu numa alta eficácia no controlo das infestantes dicotiledóneas presentes no ensaio. O tratamento testemunha foi o que menos produziu, consequência da competição das infestantes com a cultura. Nos tratamentos onde se aplicou o herbicida, a maior produtividade foi obtida com a dose mais baixa (D1 – 2,5 L/ha), em interação com o maior volume de calda (V2 – 400 L/ha) e a menor produtividade, com a dose mais alta (D4 – 4,0 L/ha), quando aplicada também, em interação com o maior volume de calda (V2 – 400 L/ha). No entanto, as diferenças entre os diferentes tratamentos não foram significativas.

Introdução
O herbicida Challenge® está homologado para aplicação em préemergência na cultura do grão-de-bico, em vários países, tais como: Espanha, França, Inglaterra, etc., estando em Portugal, na fase de pedido de homologação. A substância ativa deste herbicida é o Aclonifen (60 % p/v), sendo apresentado na forma de suspensão concentrada e é utilizado no controlo de infestantes de folha larga (Amaranthus retroflexus L. (moncos-de-perú); Papaver rhoes L. (papoila-das-searas); Galium aparine L. (amor-de-hortelão); Chenopodium album L. (catassol); Stellaria media L. (morugembranca), entre muitas outras e, infestantes de folha estreita (Alopecurus myosuroides Huds. (cauda de-raposa); Bromus sterilis L. (Bromus); Digitaria sanguinalis L. (milhã-digitada); Poa annua L. (cabelo-de-cão), etc. É um herbicida aplicado em pré-emergência de várias culturas, como o grão-de-bico, a ervilha, a batata, etc., podendo também ser aplicado em pós-emergência de culturas como o alho e a cebola. O Aclonifen pertence ao grupo químico difenil éter, tendo o nome químico, 2-cloro-6-nitro-3-fenoxianilina. Atua por contato, sendo a sua translocação no interior da planta muito limitada e não é absorvido pelas raízes. Inibe a biossíntese dos carotenóides e impede também o desenvolvimento dos cloroplastos. Com este herbicida, obtêm-se bons resultados em aplicações de outono, mas os melhores resultados são obtidos com as de primavera, em que necessita de uma menor persistência no solo, podendo a sua efetividade prolongar-se por 2-3 meses.

O Aclonifen forma uma capa fina no solo, que ao ser atravessada pelas infestantes em germinação, estas entram em contato com o herbicida, sendo eliminadas. Depois de aplicar o Aclonifen, nunca se deve fazer qualquer mobilização do solo, porque iria quebrar essa capa formada, reduzindo desse modo a eficácia do herbicida. Este herbicida, não depende grandemente da humidade do solo para ser ativo, mas sim da temperatura (temperaturas mais altas correspondem a maior atividade) e da textura do solo (em solos de textura ligeira necessita de doses mais reduzidas, que em solos de textura pesada). A variedade de grão-de-bico ensaiada foi a Krema. É uma variedade de porte ereto, sendo tolerante ao frio, admitindo datas de sementeira de inverno (durante o mês de dezembro) e de primavera (de janeiro a março), sendo a sua maturação atingida normalmente, no mês de julho. Os grãos são brancos, grossos e semiesféricos, com o embrião ligeiramente bicudo e de textura rugosa com sulcos pronunciados. É uma variedade de grão-de-bico destinada à Indústria Alimentar. Em condições de sequeiro poderá atingir produtividades entre os 1500 e os 2800 kg/ha e em regadio, 2000 a 3500 kg/ha.

Material e Métodos
O ensaio foi instalado no início de fevereiro, num solo cartografado como Vc (solo calcário vermelho de calcário), numa folha da herdade sujeita à rotação Grão-de-bico Trigo Girassol Trigo. A técnica utilizada na instalação da cultura foi a sementeira direta, tendo por isso, o controlo de infestantes em pré-sementeira, sido efetuado com a aplicação do herbicida Roundup UltraMax®, cuja substância ativa é o glifosato, com a concentração de 360 g/L. A quantidade aplicada deste herbicida foi de 2,5 litros, com um volume de água de 100 litros e por hectare, sete dias antes da sementeira da cultura. A sementeira foi levada a cabo por um semeador de sementeira direta de fluxo contínuo. Três dias antes da sementeira, realizou-se uma adubação à sementeira, onde se aplicaram a lanço, 140 kg ha-1 de um adubo binário (14:36) com 7,6 % de enxofre. Três dias depois da sementeira, aplicou-se o herbicida Challenge® em pré-emergência da cultura, com as seguintes doses: D0 – testemunha; D1 – 2,5; D2 – 3,0; D3 – 3,5 e D4 – 4,0 L/ha) e dois volumes de calda (V1 – 300 e V2 – 400 L/ha). As doses de herbicida recomendadas para o grão-de-bico variam entre 2,5 e 4,0 L/ha e os volumes de calda, entre 300 e 600 L/ha. Além destes tratamentos, foram também introduzidos no ensaio, os denominados talhões LIVRES, onde o controlo de infestantes foi realizado manualmente, mantendo sempre esses talhões livres de infestantes ao longo do período do ensaio.

Fig.2: Pulverizador usado no ensaio

Após a sementeira e de 30 em 30 dias até aos 120 dias após aquela, efetuaram-se contagens das infestantes emergidas, tendo para isso, sido colocados 2 quadrados com 50 cm de lado, na parte central de cada um dos talhões dos ensaios, com exceção dos talhões livres, onde nas mesmas datas da contagem das infestantes nos outros talhões, se realizaram mondas manuais. Para controlar o fungo Ascochyta rabiei fizeram-se duas aplicações do fungicida Prosaro® [(tebuconazol (125 g/L) & protioconazol (125 g/L)], com uma dose de 1 litro do produto comercial por 300 litros de água e por hectare. Para controlar o insecto Helicoverpa armigera, fizeramse duas aplicações do insecticida Decis Expert® [(deltramina (100 g/ L)] com uma dose de 100 ml de produto por 300 litros de água e por hectare. Todos os produtos químicos utilizados no ensaio (herbicida, fungicida e insecticida) foram aplicados com um pulverizador próprio para ensaios (Figura 2.). A dimensão dos talhões foi de 10 m x 3 m e a área de colheita correspondeu a 13,5 m-2 da parte central de cada talhão, para evitar o efeito de bordadura, usando-se para tal, uma ceifeira-debulhadora própria para ensaios. A colheita foi efetuada na 3ª semana de julho e as produções de grão e de matéria seca total (grão+palha) por unidade de área, foram determinadas diretamente, depois da correção da humidade.