Empresas & Produtos

Novos rurais. Jovens agricultores. Empreendedores.

Novos rurais. Jovens agricultores. Empreendedores. Conceitos que se completam mutuamente, em voga nos últimos anos e potenciados pelo êxodo urbano e o “regresso à terra” a que se tem assistido. O que têm em comum? São jovens, qualificados, que muitas vezes vêm de áreas completamente distintas mas veem na agricultura um futuro promissor, apesar de ser uma vida mais dura mas, ainda assim, gratificante.


Michele Rosa e Patrícia Santos são primas, de Torres Novas e ambas gerem, conjuntamente com os seus pais as explorações agrícolas das famílias, a Rosagro e o Casal da Raposa, respetivamente. Era impensável as terras ficarem ao abandono quando os seus pais, também primos, deixassem de as cultivar. Hoje a sua relação com a terra é inseparável e procuram cada dia novas soluções, novos mercados, a sustentabilidade das culturas e novas formas de acrescentar valor ao produto final. Este espírito crítico, inovador e com uma visão integrada do mercado é uma mais-valia destas jovens empreendedoras. Para colmatar alguma falta de conhecimento técnico, socorrem-se da Eng.ª Ana Mota, Técnica AgriPro que lhes presta o aconselhamento técnico necessário, além de fornecer as melhores soluções para instalação e maneio das culturas. Patrícia Santos, licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, era jurista na Câmara Municipal de Torres Novas há seis anos quando, no verão de 2012, decidiu tirar uma licença sem vencimento durante um mês para acompanhar a colheita. Posteriormente tirou outra por um ano e não mais largou a exploração da família. Candidatou-se a um apoio de Jovem Agricultor e abraçou o projeto familiar. “O meu pai é agricultor há 45 anos e sempre o acompanhei desde miúda.

A agricultura permite um modo de vida sustentável e economicamente viável

Pensar que o futuro destas terras não teria continuidade não era uma hipótese para mim”, confidencia-nos Patrícia. E prossegue: “atualmente há um elevado número de pessoas, de áreas muito distintas, a verem na agricultura um modo de vida sustentável e economicamente viável. São pessoas novas, cheias de garra, que agarram os projetos dos pais e avós com uma visão mais profissional, inovadora e com vontade de fazer diferente. Pessoas com espírito criativo e dinâmico que trazem muitas mais-valias à agricultura. No entanto, é preciso ter presente que esta opção de vida não é fácil, trabalhamos mais horas, temos mais preocupações e o trabalho no campo por vezes é duro.”
Os 12 hectares de uva de mesa do Casal da Raposa foram praticamente todos renovados desde 2013, já com o contributo de Patrícia. São produzidas as variedades Cardinal e D. Maria, tradicionalmente produzidas em Portugal, mas também a Michele Palieri, Black Magic e mais recentemente foi plantada a Victoria. Comenta connosco que tem no seu pai um excelente professor, com espírito jovem e muita coragem, mas também exigente e crítico. Todo o maneio da cultura é feito mecanicamente, à exceção da colheita. Patrícia tem tentado trazer para a exploração várias tecnologias inovadoras para aumentar a competitividade e eficiência, como é o caso da poda, que é feita essencialmente com recurso a tesouras elétricas. Dentro deste espírito inovador, este ano decidiu plantar vinha nova com recurso ao sistema de condução em “Y”, nunca antes usado nesta região, que consiste numa espécie de pérgola em que as plantas são conduzidas a uma altura de cerca de 1,70m, distribuindose aí três ou quatro ramos longos. Este sistema de condução, refere Patrícia, é indicado para as variedades que obedecem melhor ao sistema de poda longa. Esta forma de planta na defesa fitossanitária, uma vez que permite um maior arejamento, um aumento da produtividade, bem como um maior bem estar dos operadores na época de colheita, dado que pode ser efetuada à sombra. Este último ponto é, na opinião da jovem agricultora, muito importante uma vez que nesta zona no pico do verão os termómetros chegam a rondar os 40 graus. Aquando da colheita, a uva é colocada diretamente em caixas personalizadas com a imagem Casal da Raposa, previamente preparadas com papel e divisórias de cartão que não só ajudam a um melhor acondicionamento e aumento da resistência das uvas ao transporte, como absorvem alguma humidade que possa existir nos cachos.

Artigo completo na versão impressa de abril 2017 »