Vinha & Vinho

“Temos um lugar de relevo no mundo vitícola”

Luís Medeiros Vieira, Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação

O panorama vitivinícola nacional não para de mudar e para tal muito tem contribuído o Programa Vitis. Quando decorre a análise das candidaturas para a campanha 2017-2018 ficamos a saber que
foram apresentadas 2 914 candidaturas, para uma área a reestruturar de 5 252 hectares.


O Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão de vinhas, comummente designado Programa VITIS, vigora em Portugal desde agosto de 2000, contando já com 16 anos de execução. As medidas relativas à reestruturação e à reconversão de vinhas apoiam o investimento na qualidade e modernização das vinhas, tendo em vista a produção de uvas para vinho que satisfaçam as condições de produção de vinho com denominação de origem (DO) ou com indicação geográfica (IG). Enquanto membro do Governo, o Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira diz ter tido o privilégio de estar na origem e atualmente continuar a acompanhar a execução deste programa considerando que esta é, muito provavelmente, a medida com mais sucesso da agricultura portuguesa.
Fala em sucesso quando se refere às 30.800 candidaturas pagas ao longo dos 16 anos de vigência do Programa, a que corresponde uma área reestruturada de 65 mil hectares e um apoio a fundo perdido de mais de 625 milhões de euros. Ao abrigo deste regime reestruturou-se 34 % da superfície vitivinícola nacional, “o que é verdadeiramente notável e elucidativo da dinâmica empreendedora deste setor ”. Assim, à nossa questão sobre a avaliação que faz do Programa, a resposta do Governante é obviamente muito positiva, “porque ele está na origem da mudança da viticultura portuguesa, que é hoje mais profissionalizada e mais inovadora”.

A campanha 2017-2018 (VITIS) evidenciou uma adesão muito significativa

Segundo os números avançados à nossa reportagem, foram apresentadas 2 914 candidaturas, para uma área a reestruturar de 5252 hectares, a que está associada uma ajuda potencial de 83 milhões de euros. Como habitualmente, as intenções de investimento estão fortemente concentradas na área de influência da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, correspondendo estas a 71% das candidaturas apresentadas. Nesta fase, as candidaturas submetidas estão a ser analisadas, sendo decididas até 30 de abril, com comunicação aos candidatos até 15 de maio de 2017. Para esta campanha o Programa está dotado em 40 milhões e, de acordo com Luís Vieira, vêm reforçar a política seguida desde 2000, e que é parcialmente responsável pelo percurso de sucesso do setor. “Traduzem a aposta do Governo na modernização, no reforço da competitividade do setor vitivinícola e da sua vocação exportadora, bem patente nos certames internacionais. Este reforço da dotação que resulta da negociação promovida pelo Governo para prolongar o VITIS até 2020, é também um contributo para manter os ritmos de crescimento das exportações e atingir o objetivo definido pelo Governo de equilibrar a nossa balança comercial agroalimentar, em valor”. A este respeito o Secretário de Estado faz questão de sublinhar o importante papel da Wines of Portugal, que é a marca “chapéu” e a imagem, por excelência, dos vinhos portugueses no mundo. “O vinho português está progressivamente a afirmar-se no mercado internacional com produtos únicos e diferenciados, baseados numa trilogia que assente no clima, na diversidade e singularidade das castas e nos seus terroirs, a que se associa uma qualidade muito consistente e uma excelente relação qualidade-preço. Esta qualidade é crescentemente reconhecida pelos principais rankings internacionais, promovidos pela WINE SPECTATOR e pela WINE ADVOCATE. O resultado está à vista – as exportações de vinho registaram uma evolução muito significativa nos últimos anos
(ver indicadores). Os resultados alcançados decorrem da conjugação virtuosa entre operadores com ambição e com uma forte orientação exportadora, uma promoção coordenada pela VINIPORTUGAL, e políticas públicas ativas que assentam num trabalho técnico aturado, por vezes invisível, nas iniciativas políticas junto dos mercados relevantes e na diplomacia económica, elementos enquadradores da estratégia de internacionalização do setor agroalimentar fixada pelo Governo.

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