Grande Entrevista

ACOS – Associação de Agricultores do Sul

Em entrevista, Claudino Matoso, diretor-geral da Associação de Agricultores do Sul – ACOS, falou-nos do passado mas sobretudo dos novos desafios que se colocam ao Baixo Alentejo, a sua principal área de influência.
Claudino Matos Tem 58 anos de idade, é Licenciado em Engenharia Zootécnica e Doutorado em Produção Animal. Foi funcionário do Ministério da Agricultura e mais recentemente ingressou nos quadros da ACOS enquanto assessor de Direção, assumindo agora o cargo de Diretor – Geral.


  • Há muitos anos que a Ovibeja é nosso
    tema de trabalho, sempre na pessoa
    do Engº Castro e Brito, qual foi o grande
    legado que ele deixou?

Nós, que ficámos na Associação, costumamos dizer a quem nos visita que o Eng.º Castro e Brito nos deixou duas heranças muito pesadas. Uma delas é a ACOS que cresceu tanto em número de atividades como de associados e funcionários, tornando-se uma das maiores associações de agricultores do país, com a maior parte dos associados concentrada nos distritos de Beja, Évora e também no Algarve.
A Associação foi crescendo tal como os serviços que presta, numa diversificação que se mantém até porque a agricultura e o mundo rural têm cada vez mais desafios e há cada vez mais exigências. O outro legado que o Eng.º Manuel de Castro e Brito deixou é a Ovibeja. Foi uma criação sua. Foi sempre realizada por um número muito restrito de pessoas, como acontece ainda hoje. A Ovibeja só foi possível com um grupo restrito de pessoas na organização mas um grupo muito alargado fora dela. É um legado que vamos tentar perpetuar durante o maior
tempo possível.

  • A Acos, começou por ser uma associação de
    criadores de ovinos, que cresceu e hoje é a
    Associação de Agricultores do Sul.
    Certamente que vários motivos estiveram
    nesta evolução, mas e a região, foi um deles?

Obviamente que sim. A maior parte dos nossos associados são criadores de animais mas ao mesmo tempo também praticam outro tipo de agricultura. Com a chegada da água de Alqueva quase que foram “obrigados” a converter as suas explorações de sequeiro para regadio e a dedicarem-se a novas culturas, sendo o olival provavelmente a mais emblemática, mas há outras também importantes como as hortícolas e frutícolas, e, mais recentemente o amendoal (…). Assim, os nossos associados começaram a sentir outras necessidades de apoio técnico e a Associação preparou-se para lhes dar resposta. Um exemplo que pode ser dado é o da preparação de um grupo de técnicos para prestar apoio no regadio e hoje a ACOS está credenciada para certificar regantes. Outro exemplo é que o regadio trouxe uma agricultura mais intensiva e mais exigente na utilização de fitofármacos e de equipamentos para a sua utilização. A ACOS formou os seus técnicos que neste momento estão no terreno a fazer a inspeção de pulverizadores.

  • A Associação cresceu
    e hoje a intervenção
    chega até à melhoria
    dos circuitos de comercialização

Em suma, a Associação que estava virada para a produção animal, principalmente ovinos e caprinos, começou a crescer através da defesa sanitária dos efetivos pecuários do associados fazendo o controlo das doenças do Plano de Sanidade Oficial através do seu Agrupamento de Defesa Sanitária. Mas naturalmente começaram a surgir situações
novas onde também passámos a alargar a nossa atenção. A ACOS é entidade acreditada para a Formação Profissional e tem desenvolvido um grande trabalho nesta área contribuindo não só para a formação dos associados mas também para a de técnicos do setor. A ACOS é detentora ainda de um Laboratório Veterinário herdado dos serviços oficiais e investiu recentemente num Laboratório de Química que presta apoio principalmente aos olivicultores e lagares da
região. Ali fazem-se análises à azeitona e de azeite sendo o único acreditado em Portugal. Como há associados que têm produção agrícola e animal a ACOS está a desenvolver um projeto de comercialização, já teve início com a comercialização da lã e está agora a procurar-se fazer o mesmo com a comercialização de borrego. O objetivo é tentar obter mais-valias para os criadores que em determinadas épocas do ano sentem grande dificuldade em escoar os animais. Dentro deste segmento, de 15 em 15 dias a ACOS realiza um leilão. Tudo isto contribui para a melhoria dos circuitos de comercialização dos produtos de origem animal (…).

Entrevista na íntegra na edição impressa de março de 2017.

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