Pequenos Frutos

Investimento é atrativo mas… há sempre um mas!

A evolução da fileira dos pequenos frutos em Portugal tem sido absolutamente notória e se há quinze anos poucos sabiam por exemplo o que era o mirtilo, e muito menos que era cultivado no nosso país, hoje podemos falar de uma fileira madura e extremamente importante do ponto de vista económico. Ainda há pouco tempo o Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação avançava que em 2015 as exportações de frutos vermelhos ascenderam a 90,6 milhões de euros.

Quando falamos em pequenos frutos, ou frutos vermelhos, os mais comuns em Portugal são a framboesa, por ser aquela que gera maior valor padrão por hectare, e o mirtilo, de longe o que tem maior área de produção. Mas há muitos outros cultivados no nosso país, como o morango, que tem perdido área, a amora, a groselha, physalis, tamarilho, baga de sabugueiro, goji, camarinha (…) numa panóplia de opções onde o céu é o limite. Obviamente que o retorno financeiro já é um aspeto completamente diferente.

Focando-nos no mirtilo e na framboesa, relativamente ao primeiro, os dados do GlobalAgrimar mostram que no período de 2010 a 2015 a área ocupada pela cultura passou de 43 para 1385 hectares, correspondendo a um aumento de 3000%, tendo a produção subido de 530 toneladas para 4436, o que corresponde a um aumento de 836%. Já na framboesa, e sobre o mesmo período, verifica-se que a área ocupada passou de 146 para 755 hectare (+530%) e a produção subiu de 2216 toneladas para 12659 (+571%).

Mesmo perante estes números continua a ser atrativo investir neste setor, como nos adianta a coordenadora geral da Associação para os Pequenos Frutos e Inovação Empresarial – AGIM – Sandra Santos. “No entanto, com o avançar dos anos e o aumento das explorações, verifica-se que nem sempre o resultado esperado é o realizado. Estes investimentos só se tornam atrativos se se encarar esta atividade com profissionalismo. Para isso, o empresário agrícola tem que ter formação, apoio técnico e gosto pela atividade (…). Quem aposta nestas culturas deve estar consciente que estes investimentos só se tornam atrativos se todas as operações foram bem realizadas, e iniciam-se muito antes da instalação da cultura”.
Embora considere que a produção de pequenos frutos se revele um setor atrativo, ao mesmo tempo que se constata um crescente interesse pelos jovens na agricultura, a presidente do conselho de administração da Bfruit (organização de produtores), Fernanda Machado, admite que “os apoios estão mal enquadrados e desajustados com o investimento adequado. Essencialmente no que respeita às áreas mínimas que deveriam ser exigidas, tecnologias de produção, tipo de variedades, entre outras, para que os produtores conseguissem profissionalizar-se”.

Uma visão que vai ao encontro da defendida pela cooperativa Bagas de Portugal, cujo presidente, Paulo Lúcio, sublinhou à nossa reportagem a importância da existência de uma estratégia empresarial muito forte porque por exemplo no caso do mirtilo, os preços não voltarão a ser o que já foram no passado.
Reforça ainda a necessidade de existir uma forte estratégia de divulgação da fruta nacional no exterior pois, “embora as exportações já tenham ultrapassado os valores de outros produtos a imagem externa ainda não é a melhor”.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 205 (junho 2017)

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