Hortofruticultura

Casca de Carvalho

O melão de sabor apimentado proveniente o Entre Douro e Minho

Para falar da cultura do melão em Portugal é obrigatório referir o tão característico “Casca de Carvalho” que na região do Entre Douro e Minho assume características particularmente diferenciadoras que levaram a Associação de Desenvolvimento Local ADER-SOUSA a desenvolver o processo de Qualificação de Denominação de Origem (Protegida) para o Melão Casca de Carvalho do Vale do Sousa, cujo pedido de registo foi enviado à ex-DRAEDM. Apoiou igualmente a constituição da Associação de Produtores de Melão e de Hortícolas do Vale do Sousa, a ainda o registo da marca no INPI. Cumulativamente a ADER-SOUSA tem apoiado a Associação de Produtores em ações promocionais em eventos e certames da especialidade.
Como resultado de estudos e processos de conservação dos recursos genéticos a variedade de Melão Casca de Carvalho cultivada no Vale do Sousa foi inscrita no Catálogo Nacional de Variedades (CNV), cuja manutenção está a cargo da DRAPNorte (publicação em DR, 2ª Série, de 22 de maio de 2007).
O processo de pedido de registo encontra-se ainda sem decisão uma vez que as entidades oficiais entenderam que o âmbito geográfico da qualificação deveria ser alargado à produção do Melão Casca de Carvalho de todo o Entre Douro e Minho, não considerando o caráter específico existente no Vale do Sousa.

Três ecotipos diferentes
Registe-se que o Melão Casca de Carvalho é produzido na região do Entre Douro e Minho (EDM) mais concretamente nas áreas geográficas integralmente associadas com os ecotipos ponderado, fino e robusto. O ecotipo ponderado é cultivado no Vale do Sousa, o fino em Soutelo (Vila Verde) e o robusto em Barcelos.
De acordo com os dados avançados pela ADER-SOUSA, a área de produção do Melão Casca de Carvalho no EDM pode atingir 58 hectares, com uma produtividade entre 20 e 30 t/ha. No caso do Vale do Sousa o Melão Casca de Carvalho – variedade ponderado de caráter sazonal e local – atinge uma área média de produção anual de 12 ha, sendo 10,5 ha retratada por 20 produtores de média dimensão e a restante área de produção proveniente de pequenas explorações agrícolas representadas por um universo de 100 produtores do Vale do Sousa.

No Vale do Sousa o melão atinge particular doçura
O Melão Casca de Carvalho do Vale do Sousa distingue-se dos outros melões cultivados na região pelas suas características particulares: a cor da polpa (maioritariamente tonalidade salmão), a densidade do reticulado e espessura da casca fina a média), assim como o seu sabor equilibrado, entre o doce e o apimentado apresentando teores em açúcar entre 9 a 10 % grau Brix (podendo atingir no máximo valores entre 12 a 13 % grau Brix), que nenhuma outra variedade casca de carvalho cultivada noutras zonas apresenta.
Sublinha ainda a Associação que a qualidade gustativa do melão casca de carvalho do Vale do Sousa é resultado da conservação dos recursos genéticos locais realizada localmente através da seleção da semente, bem como de outros fatores como a exposição ao sol, qualidade de terreno e técnica de cultivo praticada de geração em geração pelos produtores. Apresenta um peso médio de 4 a 5 kg.
A seleção da semente é realizada localmente sendo limpa, seca ao sol durante 3 a 4 dias e armazenada em local seco e arejado. O cultivo é específico desde a preparação do solo, adubações, forma de aplicação do adubo de cobertura em volta do colo da planta, mondas e, ainda, as técnicas de enxertia aplicada por alguns dos produtores do Vale do Sousa permitindo a redução de infeções provocadas por doenças do solo e a valorização do produto final.
De referir, ainda, que a variedade “Casca de Carvalho” é sensível à humidade e textura do solo. Ora esta variedade local – “Casca de Carvalho Ponderado” – encontra-se adaptada ao clima e solo da área geográfica de produção e aos modos leais e constantes de produção.

Muitas dificuldades a suprir
Posto isto, algumas das dificuldades sentidas pelos produtores locais estão associados à depreciação muito rápida deste melão após a colheita, à existência de uma percentagem muito significativa de frutos que não apresentam as caraterísticas típicas da variedade, à ausência de sementes certificadas no mercado e apoio específico na produção e tratamento de pragas e doenças no meloal que na sua maioria atinge o fruto em estado de maturação avançado traduzindo-se em perda de produção.

Preço ronda os cinco euros por quilo
O circuito comercial é curto (direto), com prevalência de venda direta a estabelecimentos de hotelaria e restauração, venda à porta da exploração e venda na estrada ao consumidor final. O preço do Melão Casca de Carvalho do Vale do Sousa ronda os cinco euros por quilo.

Candidatura aos Grupos Operacionais para tentar aumentar rendimento dos produtores
ADER-SOUSA tem vindo a dar continuidade à estratégica de valorização e preservação do melão casca de carvalho tendo apresentado recentemente uma candidatura à ação 1.1 do PDR2020 – Grupos Operacionais, designada por “melão casca de carvalho – polpa +” que engloba 14 parceiros entre entidades públicas e privadas e produtores locais. A iniciativa visa essencialmente a criação de novos produtos à base de melão casca de carvalho proveniente dos 3 ecotipos aumentando o rendimento dos produtores locais e diversificando a oferta ao consumidor final. Aguarda com enorme expectativa pela decisão final.

Publicado na Voz do Campo n.º 206 (julho 2017)