Floresta

Rentabilidade do pinheiro bravo esteve em discussão

A UNAC – União da Floresta Mediterrânica, realizou em Castelo Branco, um Workshop dedicado aos “Fatores Críticos na Rentabilidade do Pinheiro Bravo”.

Enquadrado num ciclo de transferência de conhecimento “+ Conhecimento/ha”, que visa a partilha de inovação e a incorporação de práticas de gestão mais adequadas, este workshop abordou a silvicultura do pinheiro bravo, sensibilizando os produtores florestais para alguns fatores críticos essenciais à sua rentabilidade, promovendo esta importante espécie florestal no âmbito do desenvolvimento territorial das regiões rurais.

Seguem-se algumas intervenções:

“A DISCUSSÃO DA REFORMA DA FLORESTA FOI UMA VERGONHA”

António Gonçalves Ferreira, UNAC

“Sabemos que a floresta é um dos maiores ativos nacionais, os nossos decisores não podem continuar a negligencia-la como têm feito até agora. Não podemos continuar a culpabilizar o proprietário florestal. A discussão da reforma da floresta foi uma vergonha, foi posta à discussão pública em todo o país e das seiscentas contribuições que foram recebidas, provavelmente nenhuma foi utilizada. Há três situações que temos de ter em conta: Promover o que está feito e bem feito, como é o caso do associativismo, das Zonas de Intervenção Florestal, da Certificação; Incorporar o conhecimento do território na defesa da floresta e combate aos incêndios. Não podemos aceitar que o comandante operacional venha de uma localidade diferente a combater um incêndio num terreno que não conhece; Garantir compensação a quem tem de suportar as faixas de gestão de combustível”.

“A RESINA PODE VIABILIZAR A GESTÃO DO PINHAL”

(António Salgueiro, Resipinus)

“Através do desenvolvimento da resinagem podemos: Produzir mais pinheiro nacional e diminuir importações, aumentando a sustentabilidade da indústria; Criar emprego e desenvolvimento rural: criação de 3500 postos de trabalho e incorporação local (rural) de cerca de 30 M de euros em rendas de bicas; Valorização anual de 55 mil hectares de povoamentos de pinheiro bravo em cerca de 50 M de euros brutos (rendas de bicas + venda de resina). Porque não fazemos mais a gestão do pinhal bravo ? As causas são: Atividade sazonal que não permite contratação contínua; Maior competitividade e menor risco de países concorrentes (Brasil); Baixa rentabilidade e forte dependência de fatores exógenos; Elevado risco de incêndio e de perca de investimentos; Abstencionismo (desinteresse) de proprietários; Desinteresse das entidades responsáveis pelo setor”.

“A TENDÊNCIA FUTURA SERÁ DE ACRÉSCIMO DO DÉFICIT E O AUMENTO DA COMPETIÇÃO POR MADEIRA DE PINHO”

Susana Carneiro, Diretora técnica do Centro PINUS

“No mundo, a procura anual de madeira triplicará em 2050. Portugal não é exceção à tendência global e igualmente já existe um elevado déficit de madeira de pinheiro, que implica a importância de 20 a 30% de consumo anual. No nosso país existe procura para todas as classes de diâmetros. Em suma, no nosso país existe um enorme déficit de madeira de pinho, o mercado é diversificado e inclui centenas de consumidores, o ciclo de produção proporciona várias oportunidades de obtenção de receitas e a tendência futura será de acréscimo do déficit e o aumento da competição por madeira de pinho, com aumento do preço”.

“A REFORMA DA FLORESTA, REALMENTE DE REFORMA NÃO TEM NADA”

José Almeida Garrett, AFLOBEI

“A reforma da floresta, realmente de reforma não tem nada. Em matéria de fogos florestais todos estamos de acordo que a prevenção e o combate são situações totalmente distintas, tem que se avançar num só sentido, não pode haver avanços e depois recuos ao sabor de interesses não muito claros”.

“ENQUANTO CIDADÃ NÃO POSSO DEIXAR DE DIZER QUE ALGUMA COISA ESTÁ MAL OU MUITO MAL”.

Adelina Martins, DrapCentro

“…porque de tempos em tempos as mesmas áreas voltam a arder, há que repensar este aspeto muito determinante. Penso que a agricultura poderia ter algum impacto naquilo que é a produção florestal. Muito de vocês não saberão, mas em termos de regulamento comunitário não é possível instalar jovens agricultores no setor florestal. Acho que era importante começar a sensibilizar os senhores políticos, já que não é possível instalar jovens agricultores na floresta em termos de apoio europeu, se calhar também era importante haver algum tipo de apoio para que quando a pessoa se instale, tenha um complemento que possa potenciar um rendimento em termos temporais, de modo a possibilitar os períodos de carência que todos nós sabemos que existem.”

Mais desenvolvimento na revista Voz do Campo (edição impressa de outubro).