Evento Floresta

UTAD lança pós-graduação em Floresta Urbana

Lembrando a recente tragédia com a queda de uma árvore de grande porte na Madeira que provocou a morte de 13 pessoas, ganha especial importância o curso de pós-graduação em Floresta Urbana que a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) acaba de anunciar para começar no próximo mês.

A grande preocupação dos especialistas, e que está presente nos objetivos deste curso, reside nos critérios, nem sempre os mais adequados, para o planeamento das arborizações urbanas, assim como na necessidade de uma avaliação preventiva da estabilidade das árvores, levando em conta a segurança e o risco sobretudo em árvores de grande porte e idade avançada.

Tal avaliação, segundo o docente e investigador da UTAD Luis Martins, responsável do curso, “permite detetar eventuais fragilidades nas árvores e preconizar medidas que podem passar por intervenções nas infraestruturas, podas, tratamentos fitossanitários, entre outras, medidas que, se realizadas corretamente e no momento oportuno, contribuem para uma maior durabilidade e estabilidade das árvores”. 

A árvore não pode ser considerada perigosa, já que no seu crescimento desenvolve toda uma estrutura biomecânica durável e segura, mesmo em caso de intempéries, um processo que demorou a evoluir por mais de 400 milhões de anos. O que acontece, alerta o mesmo especialista, é que “a sua estrutura é muitas vezes posta em causa pelo Homem por ações inadequadas, tais como abertura de valas que cortam raízes, podas incorretas, excessiva compactação por viaturas, impermeabilização de solos, excesso de poluentes e até excesso de luz”. 

A monitorização da condição do arvoredo é pois, uma peça essencial para quem gere esse património. Assim o justifica o especialista da UTAD: “As árvores têm se ser tratadas como seres vivos que são, com toda a dinâmica que está associada à sua conservação, crescimento e reprodução. Têm necessidades próprias como qualquer ser vivo. Adoecem e depressa recuperam se forem bem tratadas, murcham por falta de água, ficam mais felizes quando bem cuidadas.”

Foto: Investigador Luís Martins em ação de peritagem