Opinião

Tempos preocupantes para os agricultores do espaço europeu

Desde que os primeiros humanos passaram de recolectores para agricultores que começaram a ser confrontados com alguns problemas que afectavam as suas sementeiras. Maior concentração de alguns insectos nocivos, plantas que não eram desejáveis, frutos que apodreciam. Surgia assim a necessidade de proteger os alimentos, fundamentais para a subsistência das comunidades.

Desde a primeira utilização registada de fitofármacos, há cerca de 4500 anos atrás, por sumérios que utilizaram compostos de enxofre para o controlo de insetos e ácaros, que a ciência ligada à agricultura evoluiu e está hoje na vanguarda da qualidade e segurança.

Apesar disso, os inimigos naturais das culturas causam ainda uma perda substancial do rendimento agrícola. Mesmo com o significativo avanço nas ciências agrárias, os produtores lidam diariamente com a necessidade de proteger as suas colheitas, assegurando em simultâneo, elevados padrões de segurança alimentar e de protecção da biodiversidade e dos recursos naturais. Novas pragas e doenças surgem como ameaças, algumas sem uma solução eficiente à vista.

A situação complica-se quando entra em cena o factor político, relegando para segundo plano o que a ciência inova e desenvolve. Os produtores europeus não lidam hoje com uma necessidade premente de produzir mais. O grande desafio é produzir melhor, de forma mais eficiente, baixando os custos de produção. Mas também produzir diferente, respondendo às novas necessidades alimentares de uma sociedade mais desenvolvida e conhecedora. É preciso produzir super alimentos. Tudo isto com a máxima segurança, como sempre se tem verificado nos estudos efectuados aos resíduos de pesticidas em alimentos, levados a cabo pelas autoridades. Mas não ficamos por aqui. Há que fazer chegar os produtos às prateleiras dos supermercados a preços razoáveis. Quando a inovação e a tecnologia são barradas pela política, comandada por uma população cada vez mais urbana e distante do mundo rural, a tarefa fica praticamente impossível de cumprir por parte dos agricultores. A Europa já importa muitos dos frutos e hortícolas que necessita e corre o risco de se tornar seriamente dependente de outros continentes. Lugares esses  com outras exigências e nos quais os agricultores têm maior acesso aos factores de produção.

Nunca houve tanta desinformação relativamente à utilização de produtos fitofarmacêuticos na agricultura. Ataques que se sucedem e aumentam, lançando medos e conspirações, mesmo por aqueles que sabem que antes de chegar às “mãos” dos agricultores, os produtos fitofarmacêuticos sejam objecto de décadas de investigação.

Com mais pragas e doenças a caminho e menos soluções fitofarmacêuticas no “pipeline”, como hoje já é fácil de constatar, os próximos tempos afiguram-se preocupantes para quem queira ser agricultor no espaço Europeu.

António Lopes Dias: Diretor executivo da ANIPLA

Escrito ao abrigo do anterior acordo ortográfico