Opinião

Agricultura inteligente – “Big Data”

À medida que os equipamentos e sensores inteligentes invadem as empresas agrícolas, o volume de dados cresce em quantidade e em género, levando a que a atividade agronómica passe a ser cada vez mais dependente de informação intensiva. O rápido desenvolvimento da Internet das coisas (IoT) e a computação em rede tem servido de motor ao fenómeno conhecido como Agricultura Inteligente.
Enquanto que a Agricultura de Precisão tem normalmente em conta a variabilidade intra-parcelar, a Agricultura Inteligente vai para além disso, baseando a sua estratégia de gestão não apenas na geo-localização mas também na informação de contexto potenciada por eventos recolhidos em tempo real que podem surgir em toda a cadeia de valor agrícola (fornecedores, logística, preferências de mercado, preferências do consumidor final, etc).
A reconfiguração de qualquer tipo de ação em tempo real, normalmente exige uma decisão muito rápida, especialmente quando as condições operacionais ou outras circunstâncias de contexto se alteram rapidamente. Este tipo de decisão rápida tem normalmente que incluir uma assistência inteligente na deteção e na execução operacional de processos, bem como, na manutenção e no uso da tecnologia.
Este tipo de assistência inteligente na deteção e na execução operacional de processos estará seguramente baseada numa mistura complexa de dois tipos de inteligência, a humana e a artificial. Esta última, altamente dependente de grandes volumes de dados, normalmente conhecidos como “Big Data”.
Face aos desenvolvimentos muito rápidos nesta área uma definição de “Big Data” não é consensual contudo é um termo que está associado a bases de dados que são ou muito grandes, ou muito complexas e onde as metodologias tradicionais de processamento são normalmente inadequadas. Bases de dados normalmente diversas, complexas e massivas que requerem novas formas de integração da informação, bem como, novas técnicas e tecnologias de processamento (“Inteligência Artificial”), para que possa ser possível produzir valor de forma rápida, eficaz e barata.

O “Big Data” e as técnicas de “Inteligência Artificial” terão que proporcionar conhecimento preditivo, dirigir decisões operacionais em tempo real e reinventar os processos de negócio.

*José Rafael Marques da Silva 1,2,3
1Agroinsider (agroinsider.com); 2Universidade de Évora (uevora.pt); 3ICAAM (icaam.uevora.pt)

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)