Opinião

“Ou há água ou não há agricultura em Portugal!”

Fundada há 30 anos, a Agromais é um dos casos que devem ser dados como exemplo quando falamos do sucesso da agricultura nacional. Hoje representa qualquer coisa como 1300 associados e a sua área de influência há muito que deixou de ser só o Ribatejo, tendo visto, e aproveitado o potencial que Alqueva representava (e representa).
Questionado sobre os momentos mais marcantes da Agromais nestas três décadas de existência, o presidente da direção, Luís Vasconcellos e Souza, aponta a liderança do regadio em Portugal, que em seu entender entretanto passou para Alqueva. Por consequência as culturas anuais “perdem terreno para as perenes”, embora as primeiras continuem a ocupar mais área, mas em termos contextuais as perenes acabaram por se tornar as mais importantes a médio prazo no regadio português. Ainda assim, no caso concreto da Agromais, o milho ainda representa na ordem dos 70% do seu volume de negócios.
“Se podemos falar no mérito da Agromais foi o ter conseguido organizar uma zona de regadio”, diz o dirigente, recordando também a inovação em termos de culturas, primeiro a batata de indústria, depois com os alhos, o milho para pipocas (…). Neste longo caminho houve algumas experiências que se revelaram inviáveis, ou pelo menos pouco interessantes, sobretudo culturas agroindustriais que no final representavam pouco valor acrescentado.
Por outro lado, se podemos falar de uma surpresa, é de mencionar o facto de em cinco anos a Agromais ter-se tornado a maior fornecedora europeia de uma das marcas mais conhecidas de aperitivos (batata frita) com uma produção de 22 mil toneladas de batata de indústria.
Hoje em dia a produção é inferior porque entretanto os preços baixaram mas, ainda assim são 15 a 20 produtores que conseguem produtividades elevadas.

“É um ensinamento para todos que há um conjunto de agricultores em que normalmente tudo o que fazem, fazem muito bem e com produtividades muito altas”

Luis Vasconcellos e Souza

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)