Opinião

Não há Competitividade e Adaptação às Alterações Climáticas sem Regadio

Não podemos falar de Competitividade e Adaptação às Alterações Climáticas, sem falar de Regadio. A irregularidade e a imprevisibilidade da precipitação, própria do nosso clima mediterrânico, obriga necessariamente a regar para garantir o sucesso das produções agrícolas, sendo estratégico na mitigação dos impactos das alterações climáticas e para o ambiente.
Mais de metade das explorações agrícolas dependem da água para a agricultura. Nos 3,7 milhões de ha de superfície agrícola utilizável, apenas 540.000 ha estão equipados para regadio, mas abastece 60% da produção agrícola nacional.
No uso da água, a agricultura teve uma evolução notória: o investimento na modernização e na reabilitação dos nossos sistemas de regadio conduziram, nas últimas décadas, a uma redução de 50% no consumo unitário de água por hectare. A eficiência global da utilização da água no regadio é de 60 a 65%, sendo o contributo da fração não utilizada, que retorna ao ecossistema, sem significativas alterações de qualidade, água que recarga linhas de água superficiais e aquíferos.
Mas esta evolução no padrão de utilização de água foi realizada com o recurso a fontes de energia, recurso que chega a representar 75% do seu custo. Reduzir para metade o consumo de água fez aumentar exponencialmente o consumo de energia no uso da água.
Assim, no topo das prioridades do sector regadio está a necessidade de reduzir a fatura da eletricidade.

*Carina Arranja, Engenheira dos Recursos Hídricos, Secretária Geral da FENAREG

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)