Opinião

Fileira do Azeite – Uma visão para os próximos 20 anos

Ao longo das últimas 2 décadas temos assistido a uma enorme evolução na agricultura portuguesa, em geral, e do Sector do Azeite em particular. Essa evolução tem sido acompanhada de perto pela revista Voz do Campo, que está, por isso, de Parabéns pelo trabalho que tem desenvolvido ao longo dos seus 20 anos de vida, sempre ao lado dos agricultores portugueses.

O desafio lançado pela Revista é o de apresentarmos a nossa visão sobre a evolução do sector do Azeite em Portugal, focando, sobretudo, os próximos desafios que se lhe colocam. Prever a evolução que este sector da nossa agricultura conhecerá nos próximos 20 anos é uma tarefa ingrata… mas aqui fica, de forma muito sucinta, a minha visão pessoal sobre a possível evolução da Fileira do Azeite nos próximos anos.

Produção
Ao nível da produção de azeite, os próximos anos vão caracterizar-se por um aumento continuado da produção mundial, embora o ritmo de crescimento se vá atenuando à medida que se caminha para um maior equilíbrio, desejável, entre a oferta e a procura. Esse aumento da produção mundial ficará a dever-se não só a um aumento da área plantada, que continuará ainda a crescer, sobretudo nos novos países produtores como a Austrália ou os Estados Unidos da América, mas também a um aumento significativo da produtividade dos olivais, fruto da introdução de novas tecnologias de produção, de novas variedades mais produtivas e de um maior controlo sobre todo o ciclo produtivo. Em consequência, os custos de produção deverão ser cada vez mais baixos.
Esta tendência de aumento da produção verificar-se-á igualmente em Portugal, onde continua a assistir-se, ano após ano, a um aumento das áreas plantadas com novos olivais em sistemas de produção altamente produtivos. A este aumento da área plantada corresponderá certamente um aumento da produção nacional, para valores médios que tenderão a situar-se acima das 100 mil toneladas/ campanha, o que representa um aumento superior a 300% em relação à média da produção nos anos 90 do século passado, por exemplo.
As tecnologias de extracção evoluirão para sistemas mais inovadores e eficazes, que permitam a preservação da qualidade intrínseca do azeite.

Mariana Vilhena de Matos, Secretária-geral da Casa do Azeite
Associação do Azeite de Portugal
* Escrito ao abrigo do anterior acordo ortográfico

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)