Opinião

Produtos tradicionais portugueses: Qualificar é preciso!

Já sabemos que são doces uns, picantes outros, sumarentos e frescos alguns, amanteigados, sobretudo os queijos, suculentos são quase todos, fumados alguns enchidos e presuntos e amargos, carnudos, picantes, acres, acídulos, dulcíssimos, tenros, fundentes, macios, pungentes, aromáticos os que o tiverem que ser por natureza ou por arte e empenho dos seus produtores! Sabores e saberes tradicionais, modos de produção ancestrais, genuínos, respeitadores de ambientes, terras e homens e base da nossa Gastronomia.

Alguns já qualificados a nível europeu, outros aguardando na longa fila do quase desespero, face à inércia quando não mesmo ao desinteresse objectivo e prepotente de quem devia, do ponto de vista administrativo, deles melhor cuidar.
Ao contrário de muitos países da Europa, Ásia, África e América onde a Propriedade Intelectual é usada como ferramenta indispensável para o desenvolvimento rural, para o crescimento económico das regiões, para a criação de emprego sólido e para apoio ao comércio oval, nacional ou internacional, em Portugal a utilização dos sistemas europeus de qualificação decresce a olhos vistos e a todos nos empobrece – económica e culturalmente. A inércia, a incúria, a ignorância e a desvalorização que os serviços públicos têm por esta matéria e pelos respectivos produtores, a sobrecarga de custos de controlos que os mesmos produtores, por uma decisão errada da Administração, são obrigados a pagar, aliada à pouca ou quase nula fiscalização no mercado exigem uma alteração radical – política, legal e administrativa – que permita uma redefinição estratégica para o mundo rural e uma valorização dos seus produtos.
Constituindo parte importante do nosso Património Cultural Imaterial, têm uma enorme vantagem competitiva; podem ser consumidos! A procura pelo consumidor é uma boa maneira de apoiar a sua produção e de ajudar a manter a sua tipicidade, genuinidade e diferença.
Não tencionamos desistir. As ligações e responsabilidades que a QUALIFICA tem ao nível do Movimento Internacional oriGIn, rede que agrupa mais de 400 Agrupamentos de Produtores de produtos com IG, a nível Mundial, dá-nos força para prosseguirmos na exigência da qualificação e dá-nos a segurança de termos os conceitos bem assimilados e a interpretação correcta da regulamentação comunitária em vigor.

Ana Soeiro
Directora Executiva da QUALIFICA/oriGIn Portugal

* Escrito ao abrigo do anterior acordo Ortográfico

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)