Opinião

A evolução da vinha em Portugal

No final do último século, 4 acontecimentos alteraram o paradigma do vinho em Portugal: a perda dos mercados coloniais no fim dos anos 70, a queda das fronteiras nos anos 80, a redução do consumo de vinho para quase metade per capita e a abolição da garantia do bom fim (destilação) no início dos anos 90. Assim, sem rede de segurança, não houve suficiente escoamento da produção; a vinha em Portugal decresceu de 350.000 ha para os atuais 180.000 ha de vinha ativa. A reviravolta ocorreu rápido de mais, muitos viticultores, adegas e cooperativas desapareceram. A economia vinícola com intervenção no mercado do estado, mudou em poucas décadas para uma economia de mercado.

Nas cinzas do antigo regime levantou-se o Fénix, o novo vinho Português. Grandes mudanças na produção em prol dos custos de produção e da qualidade com designação de origem foram a consequência desta mudança de paradigma. Com o declínio do comércio tradicional apareceram novos tipos de empresas diretamente orientadas para o mercado: as quintas engarrafadoras, e empresas tradicionais com uma nova visão das orientado para do vinho de qualidade comercial.
Com a reorganização do IVV a favor da Viniportugal e das CVR’s, com a melhoria técnica da transformação das adegas com o frio e aço inoxidável, com a criação das regiões demarcadas, com a descoberta do vinho varietal, com a seleção das castas autóctones de interesse comercial tal como o empenho da administração a favor do controlo dos materiais vitícolas modernizou a vitivinicultura. Apareceram centenas de novas quintas engarrafadoras, especialmente no Sul do país com excelente sucesso. A reestruturação dos grandes comerciantes, tal como a Sogrape que se tornou a uma das maiores “global players” na comunidade Europeia, o grupo Berardo, Symington, José Maria da Fonseca, mas também os novos, a Casa Ermelinda Freitas, o Dão Sul ou a Casa Santos Lima para mencionar alguns dos nomes que documentam a faculdade de adaptação empresarial. Todos eles tiveram em comum: o vinho português de castas autóctones. A Touriga Nacional, o Arinto, o Alvarinho, etc… começam a criar a imagem de distinção do vinho português, com originalidade essencial; diferente dos países com predominância das castas francesas.

*Hans Jörg Böhm, Comendador, Viveiros PLANSEL, obtenção JBP

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)