Opinião

Evolução da hortofruticultura em Portugal

Se existe sector onde o crescimento tem sido digno de nota, é sem dúvida no sector da Hortofruticultura.

Tendo por base os valores do GPP e em termos de valor a produção hortofrutícola (incluindo o sector das flores) este passou de 1.833 milhões de euros em 2016 para cerca de 2.379 milhões de euros em 2016, registando um crescimento médio de 2.4% ao ano neste período.
Em termos de comércio externo o sector das frutas, legumes e flores, em 2010, exportava 780 milhões de euros e as importações registava 1.208 milhões de euros. A balança comercial registava um grande desequilíbrio (64,6 por cento).
Em 2016 os valores registados são substancialmente diferentes (87,2 por cento), com as exportações a atingirem os 1.310 milhões de euros, um crescimento de cerca de 10 por cento ao ano, e as importações os 1.502 milhões de euros.
Os principais mercados das nossas exportações são a Espanha, França, Reino Unido e Países baixos.
As frutas frescas contribuíram com 522 milhões de euros, 40 por cento do valor das exportações do sector hortofrutícola e flores, com especial destaque para os pequenos frutos, a laranja e a pera rocha, que foram os que registaram melhor desempenho em 2016.
Esta evolução demonstra igualmente que este sector foi dos poucos que não foi gravemente afectado pela crise e que continuou a crescer em quantidade, mas principalmente em valor, criando emprego e investindo principalmente em inovação e conhecimento, que lhe tem permitido impor-se em vários mercados competindo com os produtores de todo o mundo.
O Alqueva permitiu trazer para o sul do país, uma nova fruticultura e horticultura, baseada em grandes áreas, apostando na tecnologia de precisão e que tem potenciado vários sectores como o sector do olival e dos frutos de casca rija entre outros.
A forma como algumas empresas se modernizaram quer ao nível dos seus produtos e ou processos, como alguns sectores tiveram capacidade de se organizar, como estes por suas vez se organizaram conjuntamente para promover a marca Portugal dinamizando uma presença efectiva em grandes feiras internacionais, é de registar e tem contribuído para a evolução desta fileira.
No entanto existem ainda desafios que esta fileira tem que enfrentar e que vão ser determinantes para a continuação do seu sucesso, tal como a sua capacidade de se adaptar às alterações climáticas que já se vão sentindo, quer ao nível da adoptação de medidas de mitigação (que vão desde a escolha das variedades adaptadas à falta de água, às temperaturas elevadas, etc) ao facto de o nosso país estar extremamente vulnerável à instalação de novas pragas e doenças.

*Maria do Carmo Martins, Secretária Geral do Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional

Escrito ao abrigo do anterior acordo ortográfico

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)