Opinião

Produção ainda tem de estar mais unida

Para a AOP a produção ainda tem de estar mais unida

Com vasta experiência no mundo associativo, Joaquim Cabeça, presidente da Associação de Orizicultores de Portugal – AOP – reconhece evolução ao setor orizícola nacional, com as associações e agrupamentos a ganharem capacidade para agregar os agricultores, o que obviamente trouxe melhorias. Registou-se igualmente evolução em matéria de investigação (duas variedades nacionais inscritas no Catálogo Nacional de Variedades), a dinâmica da Casa do Arroz e uma aposta muito clara no arroz carolino. “Mas, o que nos falta é comunicar, essencialmente com os consumidores, mostrando que temos um produto nosso e de extraordinárias qualidades”, reforça o dirigente, cuja opinião é que cabe também à produção fazer o seu trabalho. Quer com isto dizer que enquanto a produção não tiver capacidade de se organizar não conseguirá passar para o patamar seguinte. “Devemos reivindicar os nossos direitos, até porque neste momento a rentabilidade da cultura é negativa, mas, embora todos tenhamos consciência de que o arroz deveria ser pago a um preço melhor, devemos reclamá-lo de forma organizada por forma a termos capacidade negocial”.
Aponta o exemplo concreto da Cooperativa que dirige, a BENAGRO, onde há sete anos iniciou um trabalho para avançar com uma unidade de secagem e armazenamento. O projeto já foi aprovado em todas as instâncias, o terreno está pronto para se avançarem com as obras, faltando apenas que os agricultores façam a sua parte, que é o aumento de capital da Cooperativa, algo que tem de ser demonstrado aquando do primeiro pedido de pagamento.
Com este exemplo Joaquim Cabeça pretende demonstrar a sua posição relativamente à necessidade de a produção se agregar porque, a não ser assim, “os produtores passarão a ser apenas prestadores de serviços”.
Mas, enfatiza “os agricultores também têm de assumir algum risco porque se deixarem de produzir arroz, os industriais vão continuar a comprá-lo noutra parte do mundo”.

Na Foto: Joaquim Cabeça, presidente da AOP

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)