Opinião

“A consultoria mais integrada com maior aproximação à agronomia”

A operar há 17 anos na agricultura nacional, em áreas como o desenvolvimento de sementes certificadas, agroquímicos e nutrição, a Lusosem tem à sua frente António Sevinate Pinto, com créditos firmados no panorama nacional e para quem o setor evoluirá conforme a aceitação que se fizer do conhecimento.

Olhando para as duas últimas décadas, quais são as principais alterações que reconhece à agricultura nacional?
Houve mudanças, obviamente, mas há uma evolução natural e é de sublinhar a consideração que neste momento se faz da agricultura nacional, que nos últimos anos passou a ser vista como atividade económica. É pena que ainda só aconteça no campo económico porque a agricultura extravasa em muito essa vertente. Não gosto da palavra moda, porque a agricultura sempre esteve na moda, mas a realidade é que nos últimos tempos todas as transformações são muito mais rápidas e a agricultura também passou a ser vista neste quadro e em progressão, deixando para trás aquela imagem retrógrada do “pobrezinho”.

“Provou-se que vale a pena apostar na agricultura, que há condições para fazer algumas exportações”

Houve vários motivos para esta mudança, desde logo uma maior consciência do impacto ambiental na nossa vida e em particular no nosso bem-estar (maior preocupação com uma alimentação saudável), mas também a utilização de tecnologia, cada vez mais disponível para que o agricultor possa gerir melhor os seus fatores tanto no sentido da economia como do impacto ambiental. Outro aspeto incontornável é o da água, particularmente o investimento de Alqueva que conheci como projeto há 50 anos, e depois de outros tantos em discussão parece ser ponto assente que se trata de um investimento fundamental para a agricultura nacional. Provou-se que vale a pena apostar na agricultura, que há condições para fazer algumas exportações (…) e deu-se assim aso à instalação de novas culturas. É de referir que no passado já tinha havido tentativa de instalar algumas dessas culturas mas sem sucesso. Um caso bem evidente é o dos pequenos frutos, que há 20 anos ninguém pensaria capazes de atingirem a importância que hoje têm para a agricultura nacional, com pequenas áreas e com o investimento privado a liderar.

E na Lusosem, o que é que mudou?
A Lusosem tem 17 anos e não há realmente nenhuma mudança drástica, mas claro que há uma evolução paralela a tudo o que aconteceu no setor agrícola e em alguns campos temos sido muito ativos.
As exigências a que está submetida uma empresa como a Lusosem obrigam-na a evoluir também porque a capacidade de resposta à realidade atual obriga a uma formação permanente dos próprios quadros e a uma análise da própria agricultura. A Lusosem tem uma visão muito próxima e muito dirigida à agricultura nacional, sem nunca se afastar do que são “as grandes modas” da agricultura num conceito mais geral.
Por exemplo, no capítulo das culturas novas, tentamos desde princípio aperceber-nos de que elas vão chegar, ou inclusivamente trazê-las e quando já instaladas dar-lhes a maior cobertura possível no capítulo da assistência técnica (…).
Para nós o cliente não é a cultura A ou B mas sim o agricultor nacional, pelo que tentamos acompanhar a evolução no aspeto do contacto permanente, tentando tirar o máximo da sinergia das diversas atividades. Exemplo disso é que há pouco tempo entrámos na área da nutrição (especial).
Fruto da dicotomia entre a agricultura de regadio e a agricultura extensiva, e com a substituição de algumas áreas de produção de cereais para a produção de alimentos grosseiros para a alimentação do gado, entrámos igualmente na área da nutrição animal.

“Onde talvez me sinta com razão para falar em algum pioneirismo é naquilo que pomposamente chamamos qualidade da aplicação fitossanitária”

É um campo que pode dizer-se que não é assim tão importante do ponto de vista comercial, mas, por outro lado, tem um impacto extremamente importante. Qualidade também no sentido económico, da redução de custos, mas também na utilização, referência a uma agricultura de precisão, mas no conceito da utilização de agroquímicos e de adubos perfeitamente controlada, com conhecimento total.

Para ler na íntegra na edição 208 (outubro 2017)