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CCAB promoveu sessão de informação sobre o mercado das frutas e legumes

A Caixa de Crédito Agrícola do Bombarral (CCAB) promoveu na última terça-feira, dia 31 de outubro de 2017, uma sessão de informação na qual se abordaram as oportunidades e desafios do mercado das frutas e dos legumes, bem como as questões relacionadas com as novas tecnologias e a cibersegurança.

A iniciativa decorreu no auditório desta instituição bancária, onde marcaram presença vários empresários do concelho ligados ao setor agrícola e a outras áreas de negócio, para além de outras individualidades.

Filipe Costa, presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola do Bombarral, abriu a sessão apresentando os oradores convidados, a quem agradeceu a disponibilidade, salientando a premência dos temas abordados, que se encontram na ordem do dia, como frisou.

“Só organizando a concentração da oferta é que é possível remunerar melhor a produção” | Gonçalo Andrade

Para falar sobre as oportunidades e desafios do mercado das frutas e dos legumes foi convidado Gonçalo Andrade, presidente da Portugal Fresh, uma associação empresarial com cerca de 80 sócios, na sua maioria Organizações de Produtores, representando cerca de três mil produtores.

A atividade desta associação centra-se essencialmente na promoção, contabilizando já este ano duas dezenas de ações desenvolvidas em 12 países, mas atua também ao nível dos mercados e das relações institucionais.

Especificando o trabalho que a associação tem desenvolvido, Gonçalo Andrade destacou a criação do slogan “Atlantic Breeze Taste”, com vista a diferenciação dos produtos portugueses em relação aos dos outros países associados à dieta mediterrânica, ou ainda a atenção que é dada a determinadas áreas como a evolução do comportamento dos consumidores, a necessidade de requalificação dos mercados da fruta, a evolução do retalho mundial, entre outras.

Relativamente a este último ponto, o dirigente alertou para a necessidade dos produtores ganharem “escala e dimensão”, para poderem “negociar com os gigantes do retalho mundial”, destacando neste âmbito o projecto desenvolvido com o hipermercado alemão Lidl. “Foi debaixo do chapéu da Portugal Fresh que se conseguiram juntar 15 OP’s, que no último ano exportaram, só para um cliente, seis mil toneladas”, frisou.

O presidente da Portugal Fresh abordou também os passos que têm sido dados ao nível de comunicação com vista à entrada em países estratégicos, como é o caso do México, um mercado com mais de 120 milhões de consumidores.

Apresentou ainda alguns dados relativos ao valor das exportações e aos principais países de destino, adiantando que os números referentes ao primeiro semestre deste ano demonstram que “o setor continua com um desempenho extremamente interessante”.

Outro aspeto que o dirigente realçou foi a necessidade das empresas se focarem na criação da sua própria marca, porque “a maioria faz marca do retalhista o que leva à diminuição da força negocial”.

Por fim, Gonçalo Andrade deixou um apelo no sentido dos produtores se convencerem de que “só em conjunto é que vamos conseguir chegar mais longe, só organizando a concentração da oferta é que é possível remunerar melhor a produção”.

“Existe uma ciberignorância generalizada que nos expõe a grandes perigos” |Nuno Sampayo Ribeiro

Seguiu-se a apresentação do fiscalista Nuno Sampayo Ribeiro, que falou sobre a importância das novas tecnologias na nossa sociedade, a qual se encontra “a viver um momento de transição e de mudança que poucas gerações enfrentaram”.

A título de exemplo, destacou dois aspetos relacionados com a “entrada massiva da tecnologia digital no nosso dia-a-dia”, que veio permitir a realização de diversas acções em suporte digital, mas, por outro lado, veio também alterar a predominância dos crimes, sendo os de índole informática os que mais cresceram nos últimos anos.

Face a esta mudança, na opinião deste especialista é necessário assegurar que todos “têm acesso às infraestruturas tecnológicas”, mas defende que se deve “dotar o elemento humano da capacidade de as operar com proficiência”.

Concretizado este passo, é necessário assegurar que o “sistema seja seguro” e para tal “é fundamental que se difundam boas práticas, que só podem ser difundidas se as pessoas se consciencializarem da necessidade de as ter”.

Nuno Sampayo Ribeiro defende por isso que se deveria promover mais “sessões desta natureza, para ir identificando as pessoas com toda esta mudança, que é de facto uma mudança de grande folgo que implica que todas as gerações se tenham de identificar com ela”.

Considerando ser necessária uma “evolução de mentalidades”, o fiscalista afirma que teremos de fazer “o mesmo caminho que foi feito ao nível da superação da literacia”. “Existe uma ciberignorância generalizada que nos expõe a grandes perigos”, acrescentou.

Abordando a questão dos cibercrimes, Nuno Sampayo Ribeiro adiantou que estes podem atingir todos utilizadores, sobretudo os mais bem preparados, e que, muitas vezes, não são motivados por questões financeiras, sendo a principal razão apenas um simples desafio do hacker.

Aproveitando o período de debate, Ricardo Fernandes dirigiu uma palavra de apreço à Caixa de Crédito Agrícola do Bombarral pela realização desta iniciativa e felicitou os oradores pelas suas apresentações.

O presidente da Câmara Municipal do Bombarral falou ainda sobre a questão da cibersegurança, afirmando-se “preocupado com a falta de conhecimento das pessoas nesta área”, considerando por isso que é “urgente atuar, porque há muito por fazer”.