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Revestimentos em culturas perenes

Culturas como a vinha, o olival, a maçã e a pêra rocha têm, nos últimos anos, sofrido um elevado crescimento no panorama agrícola em Portugal. As áreas de produção têm aumentado de forma algo intensa, sustentadas também pelo apoio dos fundos comunitários e infraestruturas como o Alqueva e outras, que permitem tirar cada vez mais rendimento de uma cultura agrícola.

Segundo o Engº João Pedro Pereira, Técnico da Fertiprado, “esta intensificação leva a uma maior exigência dos solos que sofrem uma carga química e mecânica mais elevadas, ficando muitas vezes mais vulneráveis a efeitos de erosão, perda de matéria orgânica, compactação e invasão de espécies resistentes a herbicidas.” Para mitigar estes fenómenos, muitos agricultores têm optado nas décadas mais recentes por revestir a entrelinha destas culturas com um coberto vegetal semeado e composto por espécies especialmente selecionadas, conhecido no meio agrícola como Revestimento ou Enrelvamento.
“Os revestimentos semeados na entrelinha de culturas perenes apresentam diversas vantagens. Evitam o desenvolvimento de infestantes indesejáveis, aumentam o teor de matéria orgânica do solo, uma vez que após o ciclo da planta estar concluído, a matéria vegetal é incorporada no solo. Melhoram a estrutura do solo e protegem-no da erosão. As leguminosas fixam uma quantidade apreciável de azoto no solo, o que reduz os custos de adubação com este nutriente, podendo até eliminar esses custos em determinados casos. E, além disso, promovem o aumento da biodiversidade uma vez que atraem insetos e outros organismos auxiliares. Por fim, facilitam a entrada de máquinas e equipamentos nas parcelas em épocas de precipitação significativa, o que seria inviável com uma entrelinha sem revestimento ou nua”, refere o Engº Pedro Monteiro da AGRIPRO.

Existem no mercado diversas misturas específicas de acordo com a cultura, o tipo de solo, o clima e o objetivo que se pretende atingir com a utilização de um coberto vegetal semeado na entrelinha.
Existem no mercado diversas misturas específicas de acordo com a cultura, o tipo de solo, o clima e o objetivo que se pretende atingir com a utilização de um coberto vegetal semeado na entrelinha. É ainda possível, em determinados casos, produzir uma mistura personalizada, caso algum dos fatores anteriores não encaixe dentro daquilo que é habitual em cada região de Portugal.
Indo de encontro às necessidades dos agricultores, a AGRIPRO possui semeadores particularmente indicados para efetuar a sementeira de espécies tão específicas como as que compõem estas misturas. É disponibilizado um serviço “chave na mão”, em que o agricultor tem acesso à melhor solução e pode libertar o seu tempo para se concentrar apenas em produzir. Com uma abrangência que cobre todo o país, este serviço está acessível a qualquer pessoa que pretenda aumentar a eficiência das suas culturas.
Marco Nobre, Responsável Agrícola das Frutas Nobre & Filhos, Lda. conta que a empresa é produtora de Maçã e Pera Rocha na Região Oeste e no total dos 70 hectares de pomares da empresa, conta já com 25 hectares com revestimento na entrelinha. “Decidimos avançar com o revestimento principalmente nos pomares plantados em 2015, 2016 e está neste momento a ser semeado nos pomares de 2017. É uma importante ajuda no arranque dos pomares. Os próximos passos serão alargar este investimento aos pomares mais antigos.
É para nós um investimento importante, uma vez que dá estabilidade aos solos, protegendo-o da erosão, que é bastante potenciada pelo vento que é significativo na Região Oeste. Através deste revestimento conseguimos ter mais matéria orgânica no solo, o que também nos reduz os custos todos os anos com aplicação de matéria orgânica. Além disso, com o azoto fixado pelas leguminosas, temos um importante aporte deste nutriente no solo, o que mais uma vez diminui os nossos custos de fertilização.”
Para que a sementeira do revestimento seja feita de forma eficiente, a preparação do solo é crucial. Por isso, a Engª Sónia Baptista, Técnica da AGRIPRO, refere que “estas misturas possuem sementes tão pequenas, como as sementes dos trevos, que caso o solo não esteja bem desfeito e quase em pó, não conseguirão germinar, uma vez que não ficarão cobertas convenientemente. É por isso extremamente importante uma correta preparação prévia do solo, de forma a que fique o mais desfeito possível e com o mínimo de torrões.”

Para ler na íntegra na edição 209 (novembro 2017)