Bio Desenvolvimento Local

O Biológico e o Interior em sintonia

Mais de 200 participantes, durante os dois dias da conferência internacional, discutiram temas, trabalharam em conjunto e obtiveram inspiração para reviver o interior conjuntamente com oradores de Portugal, Alemanha, Suíça, Nepal, México, Espanha, França, Inglaterra e da Roménia.

No seguimento da conferência acerca da agricultura biodinâmica realizado em outubro do ano passado no Centro Cultural Raiano, na conferência deste ano (no mesmo local) exploraram-se os desafios em trazer de volta as pessoas para as zonas rurais.

Paulo Longo, do Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, apresentou o caso de Idanha e do seu programa Recomeçar, dos programas culturais inseridos no contexto da​ rede das​ Cidades ​C​riativas da ​M​úsica da UNESCO, da organização​ de​ conferências internacionais, o ​C​entro ​Documental Raiano orientado para a agricultura biológica e medicina natural. Idanha-a-Nova disponibilizou 560 hectares de campos para a agricultura biológica​ e tem projetos de sucesso de vários jovens agricultores e empresas como a Aromas do Valado, Nature Fields, Padaria Gaspar e a Living Seeds Sementes Vivas, empresa de sementes biodinâmicas, fundada há dois anos e que conta já com mais de 25 colaboradores.

O Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto, e o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, enfatizaram nos seus discursos os desafios de obter fundos para ajudar agricultores e as pessoas fixadas no campo.

Na conferência, vários peritos deram exemplos dos seus países que podem estimular outras localidades a adotar essas experiências e modelos. Traian Bruma, da Roménia, explicou o seu sucesso com a criação de Universidades alternativas, nas quais os alunos também precisam da aprendizagem informal. Miguel Almeida, de Portugal, explicou a sua iniciativa de criar múltiplas cooperativas regionais de financiamento para dotar os jovens agricultores com um capital inicial, envolvendo a população local para cuidarem dos campos com pequenos apoios financeiros.

Samson Hart, da Universidade Shumacher, em Devon no Reino Unido, demonstrou como elaborar um processo de decisão através do método “Os três horizontes” (sonho, presente, futuro). Rob Hopkins, de Inglaterra, partilhou a sua experiência na criação e desenvolvimento de múltiplas cidades de transição pelo mundo.

Patrick Honaeur, da Suíça, conjuntamente com Tulsi Giri do Nepal e Fernando Casillas do México, ilustraram as suas experiências ao criar uma rede de distribuição alimentar local que cobre uma cadeia de valor completa, desde as sementes, passando pela agricultura biológica, restaurantes e lojas, pela troca de conhecimentos entre as redes alimentares a nível mundial, sem intermediários, ligando o produtor aos consumidores finais.

David Taupiac, um presidente de câmara francês da cidade de St Clar, ofereceu seu apoio, com base na sua experiência pessoal, em criar atividades como troca de sementes e desenvolvimento de estratégias de cooperação entre aldeias e cidades.

Julian Perdrigeat, de Loos-en-Goelle, França, esclareceu como uma aldeia mineira situada no Norte da Europa, com mais de 100 km de túneis, conseguiu criar empregos com sustentabilidade e criação de valor através da colaboração com competências complementares.

Maxime de Rostolan, da organização francesa “Fermes d’Avenir”​,​ apresentou a sua rede de atividades com os agricultores de toda a França.

Um dos pontos altos do evento foi a visualização de um documentário sobre Manuel Maneira (80), um escritor e agricultor português, que vive perto de Marvão, em Castelo de Vide, que explica a sua mudança da cidade para o campo, da comida de plástico (junk food) para a macrobiótica, tornando-se um agricultor biológico para que pudesse colher comida saudável, desacelerando e aceitando um nível de vida mais modesto, recebendo vários convidados na sua casa, que vão até ele para o ver e o conhecer.