Agrociência Bio Floresta

A Agricultura Biológica

A agricultura Biológica como Ferramenta de Redução dos Incêndios Florestais: Parte IX

7.2 – A AGRICULTURA BIOLÓGICA

Agricultura biológica reconhece essência apoiada: Nos princípios, da saúde (sustentar e melhorar a saúde do solo, da planta/animal/homem como um todo indivisível), ecologia (baseada em sistemas e ciclos ecológicos vivos, trabalhar com eles, respeita-los e ajudar à sua sustentabilidade), integridade (construir relacionamentos que assegurem integridade em relação com ambiente e oportunidade de vida), precaução (gerir com precaução e responsabilidade de modo a proteger a saúde e bem estar das actuais e futuras gerações e do ambiente), (EDIBIO, 2012).

É a partir desta constatação, hoje comummente aceite que há que progredir na construção de alternativas que se devem basear numa “economia de preservação, conservação e sustentação de toda a vida”: produzir sim mas a partir dos bens e serviços que a natureza nos oferece gratuitamente, respeitando o alcance e os limites de cada bio região, distribuindo com equidades os frutos alcançados, pensando nos direitos das gerações futuras e nos demais seres da comunidade de vida (EDIBIO, 2012).

Na Europa, a Agricultura Biológica é alvo de legislação específica, o Reg. (CE) n.º 834/2007 do Conselho de 28 de junho, relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos, estabelecendo normas detalhadas cujo cumprimento é controlado e certificado por organismos acreditados para o efeito. Os produtos de Agricultura Biológica são reconhecidos pelo logótipo europeu de Agricultura Biológica (EDIBIO, 2012).

Fig. 22 – Símbolo identificativo de produto biológico, Fonte: (EDIBIO, 2012)

 7.3 – SUSTENTABILIDADE

A problemática da sustentabilidade e desenvolvimento sustentável nasceu na década de 60 no contexto da revolução ambiental (Sachs, 1999 in Purushothaman, 2011) e ganhou fulgor ao nível da opinião pública em meados de 1970 com a primeira crise do petróleo e com a consciencialização de que os recursos naturais são limitados. Em 1983 este foi o tema da conferência das Nações Unidas e em 1987 a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU, definiu oficialmente, no relatório Our common future, desenvolvimento sustentável como ―satisfação das necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas próprias necessidades‖ (WCED, 1987, p. 16), assumindo que os impactes futuros de decisões tomadas no presente podem ser previstos e analisados (Howarth, 1997). Em 1982, na Earth Summit adotou-se a Agenda 21 e estabeleceu-se a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável. Desenvolvimento sustentável é um conceito mais direcionado para a sociedade, e sustentabilidade, é um conceito proveniente da ciência da ecologia, e é definido como – a capacidade do todo, ou partes, de uma comunidade biótica de estender/estenderem a sua forma no futuro‖ (Ihlen & Roper, 2014, p. 43).

7.4 – SUSTENTABILIDADE AGRÍCOLA

Um processo produtivo agrícola é considerado sustentável – quando se realiza com uma gestão correta dos seus recursos naturais, especialmente dos mais limitantes, e tem viabilidade económica, possibilitando, à sociedade que a conduz, a continuação da atividade agrícola‖ (Fernández-Zamudio et al., 2007, p. 807), mais especificamente e de acordo com Reganold (2001 in Cerutti et al., 2011), uma propriedade agrícola para ser sustentável tem que ― produzir rendimentos adequados de alta qualidade, ser lucrativa, proteger o ambiente, conservar os recursos e ser socialmente responsável a longo prazo‖, i.e. reporta para a valorização dos recursos internos dos sistemas agrícolas produtivos (Gomes et al., 2009). Neste alinhamento, surge a ideia de não ser possível delinear sustentavelmente um sistema porque a prova da sua sustentabilidade remete sempre para o futuro (Costanza & Patten, 1995). Em rigor, a noção de sustentabilidade agrícola (SA), conceito multidimensional à semelhança de sustentabilidade (Hayati et al., 2010), assenta em 3 pilares: combate da degradação dos agroecossistemas originada pelo processo de modernização do século XX; estabelecimento de novas regras para o sistema agroalimentar; e promoção de práticas mais adequadas à preservação dos recursos naturais e produção de alimentos mais saudáveis (Veiga, 1996). De uma forma geral, os 5 requisitos para a SA são: inovação (com base em investigação cujo objetivo é melhorar a produtividade), infraestruturas (boas estradas e sistemas de transportes), inputs (serviços de abastecimento eficientes de água, equipamento, entre outros), instituições (que asseguram o acesso ao mercado interno e internacional) e incentivos que não penalizem a atividade agrária (Hazell & International Food Policy Research Institute, 1999).

Parte I: A Agricultura Biológica como ferramenta de redução dos incêndios florestais

Parte II: Incêndios de Figueiró dos Vinhos

Parte III: As causas dos Incêndios

Parte IV: Zona Mediterrânica

Parte V: As estratégias das plantas para resistir ao fogo

Parte VI: Floresta Portuguesa

Parte VII: Alterações Climáticas

Parte VIII: Sistema Agrícola e Florestal de Elevado Valor Natural

Parte IX: A Agricultura Biológica

Parte X: Agricultura e Alterações Climáticas

Parte XI: Conclusões