Agrociência Bio Floresta

Alterações climáticas

A agricultura Biológica como Ferramenta de Redução dos Incêndios Florestais: ParteVII

VI – ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

6.1 – AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NÃO SÃO UM FENÓMENO NOVO

As alterações climáticas não são um fenómeno novo nem incomum dentro de um sistema que é muito complexo. Há mais de 3 biliões de anos que o clima do planeta tem vindo a sofrer alterações devido a um conjunto de fatores. Estes incluem mudanças na energia que emana do Sol, impactos de grandes meteoritos que lançam quantidades consideráveis de pó para a atmosfera e também pequenas alterações na órbita da Terra à volta do Sol (http://planetaterrasustentabilidade.blogspot.pt/ consultado 23/07/17).

Durante os últimos 900.000 anos, a atmosfera passou por períodos prolongados de arrefecimento global e aquecimento global. Estes ciclos alternantes são denominados como períodos glaciais e interglaciais (http://planetaterrasustentabilidade.blogspot.pt/ consultado 23/07/17).

Fig. 11 – Temperatura média da superfície terrestre nos últimos 900.000 anos (Fonte: http://slideplayer.com/slide/2376361/8/images/10/Average+temperature+over+past+900,000+years.jpg)

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos últimos 10.000 anos temos tido a sorte de viver num período interglacial caracterizado por um clima razoavelmente estável baseado na sua maioria por uma temperatura média global da superfície estável. Estas condições climáticas favoráveis permitiram à população crescer à medida que se dava o desenvolvimento da agricultura e mais tarde o crescimento das cidades (http://planetaterrasustentabilidade.blogspot.pt/ consultado 23/07/17). 

Fig. 12 – Mudança de temperatura durante os últimos 22.000 anos (Fonte: http://slideplayer.com/slide/6269505/21/images/10/Temperature+change+over+past+22,000+years.jpg)

 

Nos últimos 1000 anos, a temperatura média da atmosfera tem-se mantido estável mas tem vindo a aumentar no último século devido ao aumento das actividades que libertam gases com efeito de estufa como a queima de combustíveis fósseis e a desflorestação (.http://planetaterrasustentabilidade.blogspot.pt/ consultado 23/07/17).

Fig. 14 – Temperatura média da superfície terrestre nos últimos 130 anos (Fonte: http://slideplayer.com/slide/2376361/8/images/13/Average+temperature+over+past+130+years.jpg)As temperaturas do passado, onde não existiam instrumentos de medição, são estimadas através de análises de diversas fontes de prova como isótopos radioativos que se encontram em rochas e fósseis, plâncton e isótopos radioativos que se encontram em sedimentos dos oceanos, minúsculas bolhas de ar antigo que são encontradas no gelo de glaciares, pólen encontrado em lagos e pântanos, anéis das árvores e as medições de temperatura que são efetuadas desde 1861 (http://planetaterrasustentabilidade.blogspot.pt/2017/07/as-alteracoes-climaticas-nao-sao-um.html, consultado 23/07/17).

6.1.2 – ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Perante os cenários desenhados pelo IPCC para a região do Sul da Europa no relatório do seu 2° Grupo de Trabalho, “Alterações Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade”, o tempo para hesitações e medidas desarticuladas, avulsas e proclamatórias extinguiu-se. O planeta precisa de se preparar para mudanças importantes nos seus modelos económicos e energéticos, perante o avolumar dos episódios que materializam a mudança do clima pela ação humana http://www.lpn.pt/Backoffice/UserFiles/menu_lpn/CI/2014/PrepararPortugal2014).

6.2 – ALTERAÇÃO DA TEMPERATURA MÉDIA GLOBAL E RISCOS ASSOCIADOS

Como se pode verificar na Figura 11, do relatório do 2° Grupo de Trabalho do IPCC, a mudança de temperatura global média para um cenário de baixas emissões e mitigação (RCP2.6) e para um cenário de elevadas emissões (RCP8.5), bem como os riscos associados às alterações climáticas provocados pelo aumento da temperatura. As previsões para a subida global de temperatura em 2100, relativamente às temperaturas de 1850-1900, são, para o cenário de baixas emissões e mitigação entre 0.9°C e 2.3°C, e para o cenário de elevadas emissões estão entre os 3.2°C e os 5.4°C http://www.lpn.pt/Backoffice/UserFiles/menu_lpn/CI/2014/PrepararPortugal2014).

Fig. 15 – Mudança de temperatura global média para um cenário de baixa emissões e mitigação e para um cenário de elevadas emissões (esquerda); Nível de risco adicional em função da mudança de temperatura média global para diferentes sistemas e eventos (direita) (Relatório do 2º Grupo de Trabalho do IPCC: Climate Change 2014: Impacts, Adaptation and Vulnerability)

 

Em termos dos riscos adicionais devidos às alterações climáticas: Para os sistemas únicos e ameaçados, incluindo ecossistemas e culturas que já estão em risco no atual estado do clima, a ameaça é alta a partir de 1°C e muito alta a partir de 2°C, em particular para espécies com pequena capacidade adaptativa; Os eventos climáticos extremos, como as ondas de calor, precipitação extrema, tempestades e secas são moderados no atual clima, mas a partir de 1°C o risco para a sua ocorrência sobre passa a ser alto; A distribuição dos impactos está diretamente relacionada com os riscos sociais: as populações em regiões de baixa latitude e zonas em desenvolvimento estão em maior risco (embora mesmo nos países desenvolvidos haja populações muito vulneráveis); devido à distribuição regional das produções agrícolas e das reservas de água, o risco de vulnerabilidade para estas populações é muito alto para subidas acima dos 2°C; Os impactos agregados globais são riscos para a biodiversidade e para a economia global, e tornam-se relevantes para alterações a partir de 1°C; a partir de 3°C, o risco é elevado, com expectável impacto direto na economia global e perdas massivas de biodiversidade e dos serviços prestados pelos ecossistemas; Os eventos singulares de grande escala são mudanças abruptas e drásticas para os ecossistemas, quando se ultrapassam determinados pontos; o risco destes eventos é moderado para uma subida até 2°C, mas a partir de 2°C são altos, com elevada probabilidade de eventos como a perda das camadas de gelo do Ártico, a subida rápida e irreversível do nível médio do mar vários metros (até 7m), ou a alteração de correntes marítimas como a Circulação do Atlântico Sul http://www.lpn.pt/Backoffice/UserFiles/menu_lpn/CI/2014/PrepararPortugal2014).

Fig. 16 – Impactos das alterações climáticas a nível regional. (Relatório do 2º Grupo de Trabalho do IPCC: Climate Change 2014: Impacts, Adaptation and Vulnerability)

 

 

 

6.3 – IMPACTOS NA EUROPA DO SUL E REGIÃO MEDITERRÂNICA

A distribuição dos vários impactos previsíveis a nível regional pode ser observada na Fig. 16. Para Portugal, destaca-se o aumento dos incêndios florestais, que com um grau de confiança elevado é atribuído às alterações climáticas. Os cenários previstos para as alterações climáticas na Europa mostram um claro aumento da probabilidade de fenómenos climáticos extremos com capacidade disruptiva. A subida do nível médio do mar e o aumento da precipitação extrema deverão aumentar as cheias e a erosão costeira. Há grande probabilidade de aumento da ocorrência de mortes relacionadas com o calor extremo, em particular no Sul da Europa. Há elevada probabilidade de decréscimo da produtividade agrícola no Sul da Europa, assim como do decrescimento da produção de energia hídrica. As alterações nos ecossistemas naturais e nos habitats deverão conduzir a extinções de espécies locais, em particular aquelas sem mobilidade. A perda de zonas húmidas costeiras é muito provável, assim como a expansão de espécies invasoras de fora da região. As zonas marinhas de coral deverão assistir a grandes perdas com a alteração ou desaparecimento de ecossistemas, aumentando os riscos para as populações costeiras, para a segurança alimentar e para a proteção das costas. As alterações dos ventos e da ondulação marítima, a subida do nível médio do mar e o aumento da intensidade das tempestades deverão aumentar a vulnerabilidade das populações costeiras, assim como das atividades económicas relacionadas com o mar. O aumento da temperatura, a redução da humidade e o aumento de dias consecutivos de elevadas temperaturas (Figura 18) e do período seco (Figura 18) são previstos, com elevado grau de confiança, para o Sul da Europa e farão disparar o risco dos incêndios florestais. O regadio agrícola será mais caro e de pior qualidade, uma vez que a água, em perda crescente, será cada vez em menor quantidade e qualidade. A intensidade destes fenómenos varia de cenário para cenário, com os cenários mais otimistas, de adaptação, mitigação e redução acentuada das emissões de gases com efeito de estufa a apresentam menor intensidade, enquanto os cenários mais pessimistas potenciarão os fenómenos acima descritos com elevada frequência e intensidade http://www.lpn.pt/Backoffice/UserFiles/menu_lpn/CI/2014/PrepararPortugal2014).

Fig. 17 – Variação média do número de ondas de calor para um cenário de baixas emissões (esquerda) e elevadas emissões (direita)

Fig. 18 – Variação do número de períodos de seca

A diferença entre os cenários mais otimistas (redução de emissões e mitigação) e os cenários mais pessimistas (manutenção e agravamento das emissões) não é, em alguns casos, significativa para a nova realidade climática em Portugal. O país e a região onde país se insere serão dos mais afetados pelas alterações climáticas. O custo da inação é colocar a viabilidade do país em causa e a aumentar a probabilidade de um êxodo de refugiados climáticos em direção ao Norte da Europa e outras paragens. Resta por isso preparar o país para um futuro de adversidade, que apenas pode ser enfrentado com planificação, ação, mitigação e adaptação http://www.lpn.pt/Backoffice/UserFiles/menu_lpn/CI/2014/PrepararPortugal2014).

A adaptação às alterações climáticas é um processo social, cultural, económico e ambiental. Os eventos extremos terão grandes impactos a nível da água, agricultura e segurança alimentar, florestas, saúde e turismo. Não haverá ‘business as usual’, porque a “normalidade” climatérica está já em mutação acelerada. Não há possibilidade de o país voltar a funcionar como antes. Mas nem tudo são más notícias: algumas das principais medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas são também medidas que oferecem benefícios imediatos a populações vulneráveis e estabelecem as fundações para a construção sólida de uma consciência coletiva de adaptação: ajudam a atingir objetivos de desenvolvimento, melhoram a qualidade de vida, o bem-estar humano e a conservação da biodiversidade http://www.lpn.pt/Backoffice/UserFiles/menu_lpn/CI/2014/PrepararPortugal2014).

Parte I: A Agricultura Biológica como ferramenta de redução dos incêndios florestais

Parte II: Incêndios de Figueiró dos Vinhos

Parte III: As causas dos Incêndios

Parte IV: Zona Mediterrânica

Parte V: As estratégias das plantas para resistir ao fogo

Parte VI: Floresta Portuguesa

Parte VII: Alterações Climáticas

Parte VIII: Sistema Agrícola e Florestal de Elevado Valor Natural

Parte IX: A Agricultura Biológica

Parte X: Agricultura e Alterações Climáticas

Parte XI: Conclusões