Agrociência Bio Floresta

Zona Mediterrânica

A Agricultura Biológica como ferramenta de Redução dos Incêndios Florestais: Parte IV

IV – ZONA MEDITERRÂNIA

4.1 – REGIÕES DO PLANETA COM CARACTERÍSTICAS MEDITERRÂNICAS

Regiões do planeta com clima e vegetação Mediterrânicas; a Califórnia nos EUA, a região litoral do centro do Chile, a costa sudoeste da Africa do Sul, a costa sul e sudoeste da Austrália e a região da bacia do mar do mediterrânico ( sul da Europa e norte de africa), (Joaquim Silva et Castro Rego, 2007).

Fig. 7 – Mapas das regiões Mediterrânicas do mundo

No caso concreto da região bacia mediterrânica (Quézel, 1985), compara a utilização de critérios florísticos, critérios fitossociológicos, critérios climáticos e critérios bioclimáticos, para definir os seus limites. Através de mapas resultantes da aplicação destes critérios constata-se que todos eles resultam na inclusão de quase todo o território português, na região mediterrânica.

4.2 – CLIMA MEDITERRÂNICO

As regiões ou zonas do globo em que o Verão é a estação mais seca em que existe um período de stress fisiológico para as planta. O clima mediterrânico pode ainda ser delimitado de acordo com a existência ou não de condições meteorológicas que permitem a ocorrência de fogos de forma frequente, desde que existam focos de ignição (Daget, 1977).

O território português é em termos fitogeográficos, quase todo incluído na Região Mediterrânica, exceptuando apenas a região situada sensivelmente a norte de Aveiro-Viseu e a oeste de Vila Real, a qual é incluída na Região Eurosiberiana. De forma mais simples podemos detectar o padrão mediterrânico de um clima através da construção de um diagrama ombrotérmico. A coincidência do período quente do ano com o período mais seco faz com que existam sempre meses em que a curva da temperatura tem valores superiores à curva da precipitação (fig. 8), dando origem a meses designados como secos. É durante esses meses que é mais provável a ocorrência de fogos nos ecossistemas. De todas as estações meteorológicas em Portugal continental não há uma única que não tenha esse padrão climático mais ou menos marcado, existindo para todos eles a ocorrência de pelo menos dois meses secos durante o ano (Costa et al, 1988).

Fig. 8: Gráficos termopluviométricos de algumas estações meteorológicas de Portugal continental. Fonte: Com base em INE, 2011

As características deste clima causam ainda um equilíbrio frágil aos restantes ecossistemas, a secura estival não é a única explicação mas é a que se torna mais marcante. Analisando o histórico de incêndios florestais das últimas décadas em Portugal, verifica-se que existe uma grande interanualidade, marcada sobretudo por características meteorológicas. Devem ter-se em conta as mudanças climáticas a longo prazo, em que ligeiras subidas das temperaturas médias podem ter influência no fenómeno dos incêndios florestais. Segundo (Pausas 2004) recentemente verificou-se um aumento na temperatura máxima (mas não nas temperaturas mínimas) em algumas regiões e países mediterrâneos durante o século XX, nomeadamente em Espanha e França. O aumento das temperaturas médias implicam de imediato uma diminuição no combustível, humidade e consequente aumento no risco de incêndio (Piñol et al., 38 1998 et al. Pausas, 2004), ao mesmo tempo que aumenta a fragilidade do território perante atos incendiários ou negligentes.

Parte I: A Agricultura Biológica como ferramenta de redução dos incêndios florestais

Parte II: Incêndios de Figueiró dos Vinhos

Parte III: As causas dos Incêndios

Parte IV: Zona Mediterrânica

Parte V: As estratégias das plantas para resistir ao fogo

Parte VI: Floresta Portuguesa

Parte VII: Alterações Climáticas

Parte VIII: Sistema Agrícola e Florestal de Elevado Valor Natural

Parte IX: A Agricultura Biológica

Parte X: Agricultura e Alterações Climáticas

Parte XI: Conclusões