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Agricultura de precisão: utilização de RPAS na Proteção das plantas

A deteção de doenças em campo, associadas a fitopatogéneos (vírus, fitoplasmas, fungos, bactérias) é vulgarmente realizada com recurso à observação visual dos sintomas em campo e efetuada por técnicos e/ou inspetores fitossanitários, tratando-se de uma tarefa laboriosa e por vezes árdua, consumindo muito tempo e implicando várias deslocações às parcelas.

Num momento em que os recursos humanos são fatores limitadores, o número de substâncias ativas disponíveis no mercado europeu foi drasticamente reduzido e aumentaram as exigências da legislação relativa à proteção dos ecossistemas, torna-se cada vez mais necessário ter disponíveis ferramentas «eco-friendly» que possam ser utilizadas na Proteção das Culturas. A deteção precoce e a intervenção oportuna no controlo das doenças, promoverá a redução dos focos de infeção e a redução do número de tratamentos a aplicar.
É neste contexto e numa perspetiva de agricultura de precisão que surge a utilização de RPAS na tecnologia da monitorização e na proteção das plantas.
Os sensores multi-espectrais têm sido amplamente utilizados para análise remota de vegetação, devido ao elevado número e extensão de frequências electromagnéticas captadas que permite recolher grandes quantidades de informação. Os sensores hiper-espectrais, por terem o seu espectro electromagnético dividido num ainda maior número de bandas individuais, permitem fazer uma análise ainda mais fina em termos de frequência que os multi-espectrais.
É, também, desta forma, que aparece o projeto PARRA “Plataforma Integrada de Monitorização e Avaliação da Doença da Flavescência Dourada na Vinha”, financiado pelo PT2020 (contrato nº3447), cujo consórcio* é liderado tela TEKEVER e reúne diversos parceiros que, pretende, através de sensores de análise espectral, obter a ‘assinatura espectral’ da Flavescência Dourada que distinguirá os sintomas típicos desta doença de outros problemas fitossanitários. As linhas de investigação do consórcio junto com outros parceiros vão no sentido e interesse de se encontrar soluções integradoras e sustentáveis que permitarão aumentar a eficácia das medidas de controlo no combate a doenças que afetam setores económicos tão importantes como o vitivinícola. O objetivo é, assim, antecipar a deteção de sintomas de doenças em vinhas, permitindo a aplicação antecipada de medidas de controlo, impedindo a expansão das doenças.
Trata-se de uma solução operacional para a proteção integrada da vinha, explorando sistemas de recolha e análise de informações sobre o estado fitossanitário das plantas, nomeadamente da doença da Flavescência Dourada (FD), com recurso a dados recolhidos por sensores e câmaras (ex. ópticas, Infra-vermelho, multi e hiper-espectrais) integrados em plataformas aéreas não tripuladas (RPAS). Assim, o PARRA explorará o uso de RPAS para realizar os voos de monitorização das áreas de vinha selecionadas e executar a recolha aérea dos dados. Esses dados são depois analisados para identificar os sintomas da doença FD nas parcelas. A “Flavescência Dourada” é uma grave doença da vinha, provocando perda de produção e a morte das videiras, detetada em Portugal no ano de 2017 (Sousa et al, 2017) sendo causada pelo fitoplasma ‘Grapevine flavescence dorée’ ou ‘Candidatus fitoplasma vitis’. Considerada de quarentena, está incluída na legislação europeia (Diretiva2000/29/CE) e sujeita a monitorização anual pelos respetivos serviços oficiais e a medidas de erradicação das videiras afetadas, pelo que, se torna fundamental fazer uma deteção precoce dos sintomas e a monitorização alargada das zonas de incidência da doença.
A integração de sensores em RPAS e o seu uso nesta temática irá permitir uma rápida e alargada intervenção no controlo das doenças. O RPAS de asa fixa poderá tirar partido da sua maior autonomia de voo e maior alcance para percorrer grandes áreas em menor tempo obtendo-se, assim, uma maior cobertura em tempo útil da área a monitorizar.

Autores:
TIAGO RAMALHO1 *, NICOLE CRUZ1, ESMERALDINA SOUSA2, ISABEL RODRIGUES2
1 TEKEVER. Rua das Musas, 3.30. 1990-113 Lisboa. Portugal
2 INIAV. Av. da República, Quinta do Marquês, 2780-157 Oeiras. Portugal
* Autor correspondente: tiago.ramalho@tekever.com

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 210 (dezembro 2017)