Inovação Tecnologia

O pragmatismo aumenta à medida que o retorno do investimento se torna mais óbvio

Ricardo Braga, docente do Instituto Superior de Agronomia, é um dos conceituados investigadores da área agrícola em Portugal e nome incontornável quando falamos em Agricultura  de Precisão.

Sendo a Agricultura de Precisão um conceito relativamente recente em Portugal, de que forma é que tem evoluído, nomeadamente em termos de novas ferramentas?
O conceito da Agricultura de Precisão começou a ser divulgado em Portugal no início dos anos 2000 em eventos de divulgação técnica. Na altura ainda havia pouco conhecimento e apoio de parte dos representantes nacionais de equipamento, nomeadamente de máquinas de colheita e distribuição e também da comunidade académica. Posteriormente, começam a ser divulgados projetos técnico-científicos e de demonstração em parcerias entre o ensino superior e as empresas e o interesse do setor foi aumentando.
Após 2010 algumas empresas vitivinícolas começaram a utilizar cartas NDVI na gestão da vindima. A adoção nas culturas arvenses começa posteriormente em 2013/2014 e atualmente são os subsetores mais dinâmicos (existem mais de duas dezenas de ceifeiras equipadas com monitor e gps, a maior em prestadores de serviços). A disponibilização das imagens do Sentinel de forma mais regular em 2016 levou a que se iniciassem aplicações comerciais noutras áreas nomeadamente no olival, nas fruteiras e no tomate. A par disso também os levantamentos de condutividade elétrica se tornaram mais comuns e disponíveis no mercado.
Depois há produtos / serviços associados à agricultura de precisão com taxas de adoção elevadíssimas (centenas de equipamentos ao serviço da nossa agricultura) como a condução assistida e automática por GPS em distribuidores de adubo, semeadores, pulverizadores e até ceifeiras-debulhadoras.
A adoção de plataformas de monitorização das culturas (CMS – Crop monitoring systems) com recurso a dados de deteção remota obtidas “drones”, aviões ou satélites e disponibilizando séries temporais de cartas de índices de vegetação (NDVI e outros) é também muito relevante.
Outras ferramentas que estão a começar a entrar no radar dos agricultores /prestadores de serviços incluem o controlo automático da largura de trabalho (corte de secções) em semeadores, distribuidores de adubo e pulverizadores; as máquinas de distribuição (sobretudo adubo e semente) com tecnologia de taxa variável, VRT, incluindo também os pivots VRI; a sensorização IoT em escala; os sistemas de tráfego controlado;  e os softwares de gestão integral da exploração (FMS).
Na sua globalidade o interesse dos empresários é crescente, sobretudo nos últimos cinco anos em que a agricultura de precisão se tornou tema comum nos eventos técnicos e revistas da especialidade.

Dessas, quais são hoje as ferramentas mais comuns, e indispensáveis?
Tudo o que sejam ferramentas de monitorização das culturas (cartas de produtividade, imagens de índices de vegetação) e caracterização dos recursos (cartas de condutividade elétrica do solo). Verdadeiramente indispensável na ótica do agricultor, até pela facilidade de utilização e ganhos de eficiência óbvios, são os sistemas de condução por GPS na maioria das culturas, mesmo culturas permanentes em linha.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 210 (dezembro 2017)