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Tecnologias para monitorização do montado

O montado, característico da região Mediterrânica, é um sistema silvo-pastoril constituído por árvores, onde predominam a azinheira (Quercus ilex ssp. rotundifolia Lam.) e o sobreiro (Quercus suber L.) e pastagens naturais ou semeadas, pastoreadas por animais em regime extensivo. A biodiversidade associada faz deste um sistema de alto valor natural (Pinto-Correia et al., 2011), no entanto, há alguns sinais de declínio em resultado de factores diversos, entre os quais, de ordem climática, sócio-económica e, especialmente devido a erros de maneio do solo, da pastagem ou do pastoreio (Godinho et al., 2016). No sentido de contribuir para a sua sustentabilidade, é urgente produzir conhecimento sobre os limites de resiliência dos diversos componentes, o que requer considerável investigação interdisciplinar e a utilização de tecnologias de Agricultura de Precisão (Schellberg et al., 2008).
A monitorização do ecossistema montado é complexa devido à inter-relação entre solo, pastagem, árvores e animais. A equipa do grupo de investigação “Precision Grazing” da Universidade de Évora desenvolve há mais de uma década trabalhos sobre a aplicação de sensores no montado, financiados pela FCT, Fundação para a Ciência e Tecnologia através do centro de investigação ICAAM (Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas).
Neste artigo são divulgados quatro tipos de sensores próximos, de entre muitos outros com possibilidades de aplicação neste contexto: um sensor para medição da condutividade eléctrica aparente do solo (CEa); uma sonda de capacitância; um sensor óptico activo; e receptores GNSS (Global Navigation Satellite Systems) para geo-referenciação dos animais em pastoreio. A informação espacial que disponibilizam, relativa ao solo, à pastagem e ao animal, permite compreender melhor as interacções que se estabelecem dentro do ecossistema montado.
Ensaios realizados em diversas explorações agro-pecuárias da região revelaram o interesse de sensores para avaliação da CEa como indicador da variabilidade do solo e como primeira etapa na implementação de projectos de Agricultura de Precisão (Serrano et al., 2010, 2014, 2017). A figura 1 ilustra o levantamento da CEa realizado numa parcela da Herdade da Mitra (Valverde) em Outubro de 2016, com o sensor “Véris 2000 XA” (a) e o respectivo mapa (b). Esta informação pode apoiar o gestor agrícola na tomada de decisão relativamente à amostragem inteligente do solo ou na definição de zonas de gestão homogénea (para efeitos de fertilização ou correcção da acidez, por exemplo).

Autores:
João Manuel P. R. Serrano, Shakib Shahidian,
José R. Marques da Silva, Elvira-Sales Baptista,
Isabel Ferraz-de-Oliveira, Alfredo Pereira,
José A. Lopes de Castro, Manuel Cancela d’Abreu,
Mário de Carvalho
ICAAM, Departamento de Engenharia Rural, Universidade de Évora, P.O. Box 94, 7002-554 ÉVORA, PORTUGAL; autor para correspondência: telefone +351266760800; fax +351266760811; e-mail: jmrs@uevora.pt
* Escrito ao abrigo do anterior Acordo Ortográfico

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 210 (dezembro 2017)