Grande Entrevista

Vítor Menino: presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores

Vítor Menino é empresário agropecuário há 40 anos, suinicultor de paixão e dirigente associativo por missão.
Desde 2012 que dirige os destinos da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, coincidindo com um período conjuntural complicado para a atividade suinícola, que hoje vê com otimismo a sua recuperação económica.

Quais são as linhas orientadoras deste mandato?
Este mandato, renovado no início de 2016, teve início no meio da maior crise que o setor já viveu. O grande desafio foi intervir politicamente no sentido de ultrapassar este contexto desfavorável.
O ponto de partida estava identificado: o fraco poder negocial dos produtores, pela parca organização setorial mas também por produzirem um produto indiferenciado, com um comportamento de mercado semelhante a qualquer “commodity”. O desafio seria, portanto, encontrar uma forma de colocar a carne de suíno noutra categoria de produtos, que os consumidores pudessem valorizar, aportando valor acrescentado a toda a fileira.
É assim que surge o Programa de Certificação “Porco.PT” como grande marco deste mandato, materializando a estratégia política delineada por esta direção da FPAS para o biénio 2016/2017.

O setor da suinicultura tem passado por diversas crises, como é que está hoje?
Efetivamente os anos de 2015 e 2016 foram de má memória para a suinicultura portuguesa que sofreu os impactos do embargo russo aos produtos agroalimentares europeus. Esse período levou à falência centenas de empresas e conduziu a uma maior concentração do setor.
Felizmente, no ano de 2017 o mercado reagiu, alavancado pelo forte aumento da exportação europeia para a China. Portugal seguiu a tendência europeia.
Depois de termos chegado a vender os animais a menos de 1 euro/kg de carcaça – bem abaixo do custo de produção -, em 2017, considerados os primeiros 6 meses do ano, a média de mercado da venda de carne suína portuguesa ficou acima de 1,50 euro/kg de carcaça. É um dado que nos contenta, mas que não nos descansa, porque se os primeiros seis meses de ano nos trouxeram esperança, a entrada no último trimestre devolveu-nos as preocupações: assistimos a uma queda significativa dos preços praticados.
O abrandamento das importações da China, devido ao aumento dos seus abates internos, bem como a valorização do Euro face ao dólar – que favorece importações aos países da América do Norte e do Sul – são um sinal de alerta para o setor, alerta esse que se junta às tendências sazonais que ainda revelam alguma influência nos preços de mercado nos meses de inverno.

Como se define o suinicultor do dia de hoje?
O suinicultor português nos dias de hoje define-se como um empresário atento às alterações de mercado, às alterações de tendências dos consumidores e aos seus custos de produção, de forma a rentabilizar recursos ao máximo.
Assistimos hoje a uma forte e acelerada renovação geracional da suinicultura portuguesa e a um aumento do nível de formação quer dos suinicultores, quer dos quadros das empresas, o que nos tem levado ao aumento da eficiência das explorações, como ficou patente na recente Gala de Entrega dos Prémios Porco D’Ouro que pela segunda vez a FPAS organizou e é, de facto, impressionante a evolução que a suinicultura portuguesa sofreu no espaço de apenas um ano, no que respeita aos seus principais índices zootécnicos, como produtividade numérica, taxa de partos e leitões desmamados por reprodutora na sua vida produtiva.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 210 (dezembro 2017)