Hortofruticultura Sanidade vegetal

Conhecimento gerado pelo Safebrocolo já permitiu melhorar a produção

A produção pediu e a investigação deu resposta. Resume-se assim de forma muito simples o projeto Safebrocolo – “Melhoria do processo produtivo com base em modelos de risco para alternaria e mosca da couve” que chegou agora ao fim.

Concretamente, o que os produtores de brócolo, sobretudo do Vale do Tejo, sentiam eram perdas bastante elevadas, que em algumas parcelas eram mesmo totais. Foi o mote para o projeto iniciado em 2015 no âmbito do ProDer ação 4.1 – Cooperação para a inovação e que integrou a Cadova – Cooperativa Agrícola do Vale de Arraiolos, CRL, como entidade gestora da parceria, cinco instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, ESAS/IPS – Escola Superior Agrária /Instituto Politécnico de Santarém, ISA – Instituto Superior de Agronomia, INIAV I.P. – Instituto de Investigação Agrária e Veterinária, I.P., FCT/UNL – Faculdade de Ciências e Tecnologia/Universidade Nova de Lisboa e a UE – Universidade de Évora e, ainda, a FNOP – Federação Nacional das Organizações de Produtores e o COTHN – Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional.
Ana Paula Nunes, do COTHN recorda que havia dois problemas sérios que afetavam os produtores de brócolo (a mosca e a alternaria). O desenvolvimento do projeto consistiu em compilar a informação existente sobre as mesmas e estudar os dois inimigos num ecossistema concreto: o Vale do Tejo. Esses dados foram veiculados para especialistas informáticos e de modulação que, de acordo com modelos já existentes na literatura, com as características bióticas e os parâmetros biológicos destas espécies que foram estudadas em laboratório, desenvolveram propostas para modelos de previsão. “Mais do que termos soluções armas para combate é necessário técnicas para detetar e identificar o momento de as usar, de forma a que sejam mais eficazes e assim seja possível diminuir o número de intervenções. Desta forma permite-se que as soluções existentes continuem a ser eficazes por mais tempo, combatendo o inimigo e protegendo a cultura ao mesmo tempo que diminuindo o número de intervenções e garantindo a proteção da água, do solo, dos alimentos, ou seja, utilizados de forma mais racional”, sustenta Maria do Céu Godinho, da Escola Superior Agrária de Santarém, reforçando que nem sequer se trata de um projeto de investigação mas sim de “afinação” das soluções já existentes no mercado e partilha de conhecimento entre os envolvidos.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º210 (dezembro 2017)