Olival & Azeite

OLIVUM reúne setor olivícola

A Associação de Olivicultores do Sul organizou, pelo quarto ano consecutivo, as Jornadas Olivum. Este evento anual da Associação tem evoluído no sentido de se tornar um encontro de referência entre os profissionais do setor Olivícola, o que foi notável nesta edição com a grande afluência, que encheu o Núcleo Empresarial de Beja (Nerbe/Aebal), para debater os temas da atualidade do setor.

Durante a manhã do dia 03 de outubro, debateu-se o Plano de Contingência que Portugal está a levar a cabo face à bactéria Xylella fastidiosa, que se mostra uma ameaça, não tendo no entanto chegado a território nacional. Este foi o terceiro ano que a Olivum incluiu este tema no Programa das Jornadas, sempre numa vertente de prevenção e com o apoio e conhecimento das Entidades competentes, como o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), em 2015, e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), em 2016 e em 2017 com a atualização do trabalho que está a ser desenvolvido.
Considerando importante perceber toda a coordenação que está a ser levada a cabo entre os países da União Europeia, este ano foi alargada para uma vertente internacional e o painel contou também com a presença da Entidade espanhola Dirección General de Sanidad de la Producción Agraria (DGSPA), que deu a conhecer as medidas que estão a ser tomadas em Espanha, onde já foram detetados casos de presença da bactéria.
Considera-se de extrema importância levar a cabo estas sessões de esclarecimentos, abertas ao debate de todos e que também são fruto de diversos Encontros que a Olivum tem promovido com as Entidades competentes.
É importante salientar que até ao momento não há qualquer análise positiva de casos de Xylella em território nacional, assim como não é uma preocupação restrita dos Olivicultores, mas de todo o setor agrícola. No entanto existe a preocupação e ficou mais um alerta para a importância da prevenção.
Outro tema que a Olivum trouxe a esta edição, abordou aspetos técnicos do Olival de elevado interesse, através do conhecimento que foi partilhado pela Engenheira María Gómez del Campo, da Universidad Politécnica de Madrid, pioneira em experiências sobre orientação e espaçamentos de Olival em Sebe. Uma exposição que se demonstrou bastante interessante para a grande maioria dos presentes.
O terceiro painel das Jornadas deste ano contou mais uma vez com a colaboração da Casa do Azeite, no qual a Secretária-Geral, Engenheira Mariana Matos apresentou os balanços e as perspetivas para o setor, com uma visão para a próxima década.
O Presidente da Direção da Olivum presidiu a sessão de abertura, onde abordou os temas que iriam preencher a sessão, alguns pontos fulcrais da atividade da Olivum e a importância do setor. A moderação do evento esteve a cargo do Presidente da Assembleia Geral da Associação e o encerramento do Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo.
Todas as exposições foram de elevado interesse e contaram para o sucesso desta quarta edição das Jornadas Olivum, que ultrapassou as expectativas tendo sido o ano com maior número de inscrições, revelando a importância dos temas e do positivo impacto do setor que a Olivum representa.

Setor dinâmico e sustentável – o papel da Olivum

A caminho dos quatro anos de existência, a Olivum – Associação de Olivicultores do Sul tem desenvolvido o seu trabalho caracterizando-se pelo dinamismo e pela sustentabilidade do setor que representa. Com uma adesão e representatividade bastante expressiva desde o seu início, a Olivum continua a acompanhar o crescimento do setor Olivícola, através da sua consolidação na defesa dos interesses dos Associados e do setor em geral.
As apostas da Associação continuam a centrar-se no caminho que permita dar voz ao setor e aos Olivicultores, através do associativismo. Seja através de comunicados ou de reuniões com Entidades oficiais, a Olivum procura partilhar as suas preocupações e colaborar em possíveis soluções ou mecanismos que visem o bom acompanhamento do setor. Proporcionar encontros técnicos ou sessões de esclarecimento, como são exemplo já reconhecido as Jornadas Olivum, são outras estratégias que se têm desenvolvido e têm incrementado o reconhecimento da Associação.
Não menos importante, a aposta no estabelecimento de parcerias com empresas ou entidades em diversas áreas. A Olivum continua atenta às áreas-chave para o setor e estabelece ou reavalia melhores condições para os seus Associados, voltando a destacar o Seguro Coletivo de Colheitas, novamente com a maior adesão; a renegociação na área dos Combustíveis; a dinamização no âmbito da Medida do uso Eficiente de Água, através de esclarecimentos e da criação de um Boletim de necessidades de rega semanal; Análises laboratoriais; Inspeção periódica de equipamentos; e Segurança.
A Olivum marca também o seu dinamismo pela Comunicação reestruturando sempre que pertinente os meios de divulgação externa, consolidando a imagem de um setor competitivo, técnico, focado no mercado, sustentável e amigo do ambiente.

Preocupações
Atualmente podem ser identificados alguns temas que representam dificuldades ou limitações para o setor. Uma das temáticas está relacionada com a contratação de mão-de-obra, uma necessidade que aumenta pelo crescente desenvolvimento do setor e que pela sazonalidade leva os Olivicultores a recorrer com frequência a contratações externas. Por um lado, a escassez de recursos leva a que haja uma grande variação de valores, aumentando custos, e por outro todo o processo de contratação revela alguns riscos de garantias para quem contrata, devendo ser efetuada uma fiscalização mais eficaz sobre a questão do IVA, ao fazer com que este possa ser transferido pelo adquirente, excluindo o setor das responsabilidades de incumprimentos por parte das outras empresas. As exigências burocráticas de ano para ano também revelam outra limitação ao deixar os processos mais morosos. A Olivum não tem sido alheia a esta preocupação, tendo no ano passado levado o tema a debate, nas ‘III Jornadas Olivum’ com a colaboração da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e disponibilizado aos Associados, desde o ano de arranque, um documento-síntese com os passos que o empregador deve seguir no processo de contratação, no sentido de ajudar e sensibilizar os Olivicultores.
Outra dificuldade prende-se com o Investimento e com o atraso da decisão face aos Projetos submetidos ao PDR2020. Este período de espera leva a um clima de indecisão, fazendo com que muitos Olivicultores ponham em causa investimentos no setor, pois nem todos terão a capacidade de avançar sem que haja uma decisão. Sobre esta questão a Olivum também demonstrou as preocupações dos seus Associados e do setor em geral através de um documento enviado à equipa de gestão do PDR2020.
Numa vertente mais técnica, outra questão que preocupa o setor e sobre a qual a Associação já se manifestou junto da tutela e Entidades competentes, é a questão da homologação de produtos fitofármacos, apelando para que este processo seja agilizado, considerando incompreensível que produtos que estão já homologados noutros países da União Europeia (UE), demorem anos a ser homologados em Portugal. É imperativo agilizar esta questão e criar alternativas para o futuro e não correr o risco de perder a competitividade e os patamares de produção já atingidos pelo setor.
Outra questão com que o setor se depara prende-se com a imagem negativa que é associada à Olivicultura moderna, sendo por vezes falsamente identificada como pouco amiga do ambiente. Esta é uma ideia errada, uma vez que o Olival moderno é uma das culturas com maior sustentabilidade ambiental em relação a muitas das restantes culturas de regadio implementadas na área de influência do Alqueva. É importante conhecer e reconhecer que este setor tem sido um dos maiores exemplos de modernização e investimento agrícola no nosso País, onde se destaca a zona sul alentejana, revelando um importante contributo para as economias locais. Um processo de desenvolvimento que se tem aliado sempre a fatores de sustentabilidade não só económica mas também ambiental.

Campanha 2017/2018: expectativas
Com a Campanha 2017/2018 a decorrer, será possível avançar alguns dados previsionais, do que será expectável, tendo em considerarão as condições climatéricas e alguns aspetos técnicos, sendo inevitável distinguir duas realidades do setor na região Alentejo – os olivais de regadio e os olivais de sequeiro.
No que respeita aos olivais de regadio, nomeadamente os que estão integrados na área de influência do Alqueva, é esperada uma boa produção, não sendo estes afetados pela escassez de água. Pode dizer-se que as condições favoráveis à floração e a um bom vingamento do fruto, a comparação com a quebra que se registou na campanha anterior e o aumento da entrada em produção das novas plantações de regadio, são fatores que contribuirão para melhores resultados e melhores produções.
Por outro lado, o clima de seca que se tem registado é bastante preocupante para os olivais tradicionais de sequeiro, onde é esperada uma quebra de produção para esta campanha. As temperaturas muito altas e até muito tarde estão também a afetar o teor de gordura, ou seja, este será menor pelo atraso da maturação da azeitona. No entanto a quebra deverá fazer-se sentir, neste tipo de olivais, ao nível da quantidade e não da qualidade.
Em traços gerais e identificadas as distintas realidades do Olival na região Sul, é importante realçar o aumento da área de novos olivais. Apesar de não estar ainda em ‘velocidade de cruzeiro’, devido às novas plantações e às que estão agora a entrar em fase de produção, este aumento é de extrema e reconhecida importância para o setor e para a região.

Publicado inicialmente na edição n.º 209 (novembro 2017)