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Na pegada da Xylella fastidiosa, Todolivo visita a ‘zona 0’

Parte da equipa técnica da Todolivo, empresa espanhola especialista em olival em sebe, viajou até Bari, em Itália, onde está identificada a chamada “zona 0” da Xilella fastidiosa, a bactéria que colocou em causa o setor olivícola mundial. O principal motivo da viagem foi conhecer em primeira mão os seus efeitos, as medidas de contenção que estão a ser praticadas e os avanços das linhas de investigação que estão a realizar-se, assim como avaliar em que medida a empresa poderá colaborar.

Esta viagem contou com a colaboração do investigador do IFAPA – Instituto de Investigação e Formação Agrária e Pesqueira de Córdoba, Lorenzo León, e da doutoranda Alicia Serrano, que facilitaram o acesso à equipa de investigação italiana e acompanharam os técnicos da Todolivo na viagem.

Uma vez em Itália, o grupo encontrou-se com Donato Boscia, o primeiro investigador a detetar Xylella no olival. Segundo o seu relato, tudo começou em agosto de 2012 na localidade costeira de Capilungo, onde os seus sogros possuem uma casa de verão e alguns hectares com oliveiras centenárias que nesse mesmo verão começaram a  secar. A Xylella surgia primeiro em alguns ramos para depois se estender a toda a árvore. O sogro de Boscia pediu-lhe que examinasse o problema uma vez que era especialista em viroses da vinha e poderia encontrar alguma explicação para o que estava a acontecer.
Donato Boscia observou algumas semelhanças com Verticilium e levou amostras para o seu laboratório na Universidade de Bari. Uma vez analisadas, não se detetou a presença de Verticilium em nenhuma delas.

Depois de muitas análises à procura de algum agente patógeno decidiu contactar um antigo professor da faculdade e propôs-lhe procurarem a bactéria Xylella, que já havia sido descrita na década de 60, na vinha, como muito virulenta, devido à proximidade das duas culturas: vinha – olival. A análise revelou-se positiva para a subespécie fastidiosa.

Mais de 250 mil hectares afetados

Neste momento o raio de ação da Xylella afeta mais de 250 mil hectares. A equipa de investigadores italiana é comandada por Donato Boscia e Maria Sapponari, da Universidade de Bari, que estão a trabalhar intensamente na procura de soluções em Itália. Com eles a Todolivo partilhou dois dias de intenso trabalho e visitas a plantações, onde os técnicos puderam comprovar em direto os efeitos e as diferentes linhas de investigação em que estão a trabalhar.

A delegação de técnicos espanhóis que foi a Itália pôde observar que a variedade da região, a “Oiarola Salentina”, é extremamente sensível à bactéria, mas, no entanto, outras variedades também plantadas na área (embora, em menor grau), como a “Leccino”, são muito tolerantes à doença. Prova disso é uma plantação muito próxima da área de Lecce, onde o proprietário tinha metade da plantação com “Oiarola” e a outra metade com “Leccino”, apresentando-se as primeiras completamente mortas e as segunda em perfeito estado.

Avaliação das variedades

Uma das linhas de trabalho mais importantes é a que se concentra na avaliação das variedades de azeitona. O objetivo é identificar as que podem ter níveis mais altos de resistência à doença. Um exemplo é o programa que começou em novembro de 2016 em colaboração com o IFAPA e através do qual foi enviada uma coleção de variedades espanholas (38 no total), entre as quais variedades com as quais a Todolivo trabalha, como a “Arbequina”, “Arbosana”, “Koroneiki”, “Picual”, “Hojiblanca”, “Manzanillo”, etc., juntamente com um grupo de novos genótipos obtidos pelo IFAPA.

Estas árvores  foram plantadas em terreno ao ar livre, na “zona 0”, onde a infestação era máxima. Depois de ano e meio expostas as plantas não mostraram sintomas da doença, além de que foram empacotadas com o inseto vetor para promover uma infeção maior.

Esta linha de trabalho complementou-se com outra iniciada em 2017 pela equipa de investigação em colaboração com o IFAPA que que amplia o estudo da tolerância à Xylella fastidiosa de 70 variedades espanholas e outras de diferentes países. A diferença é que nesta ocasião, ao invés de expor as variedades à bactéria a céu aberto, inoculou-se a bactéria em laboratório para depois as levar para uma estufa fechada, onde é analisada a sua tolerância à mesma.

Outra linha de investigação está a ser realizada com oliveiras silvestres que se verificaram mais resistentes e estão a ser propagadas com enxertos em árvores adultas.

Por último, a equipa técnica pôde observar também que a Xylella é uma bactéria com grande capacidade de infestar numerosas espécies vegetais como a nogueira, romãzeira, alecrim e acácias, entre outras.

De uma forma geral, as impressões que a Todolivo extraiu dos trabalhos realizados com as diferentes variedades analisadas são esperançosas já que em algumas das investigações, que continuam em aberto, identificaram-se possíveis fontes de resistência à Xylella fastidiosa.

Por outro lado, convém referir que as variedades espanholas plantadas na “zona 0” há mais de ano e meio e as inoculadas em laboratório, até agora não demonstraram infeção pela bactéria.