Agroalimentar Evento realizado

Tradição, genuinidade e sabor superior: o Fumeiro de Montalegre

A Associação de Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã (PFTF) foi fundada em agosto de 2001, fruto da necessidade de organizar o setor da transformação agroalimentar de Montalegre, especialmente o fabrico de fumeiro tradicional do concelho. É uma Associação sem fins lucrativos e tem como missão defender, representar, formar e informar os seus sócios nos seus aspetos técnicos, socioecónomicos, legais e sociais. Tem como objetivo a constituição de uma fileira produtiva robusta de fumeiro e outros produtos locais, assente nos agricultores e empresários agrícolas locais, que permita o aumento da cadeia de valor associada a estes produtos de qualidade com Indicação Geográfica Protegida. É entidade parceira na organização da Feira do Fumeiro e Presunto de Montalegre com o Município de Montalegre.
Os produtores associados são sobretudo agricultores que praticam uma agricultura de subsistência de pequena dimensão e que têm como principal fonte de receita a bovinicultura e pequenos ruminantes de carne em sistema tradicional extensivo, com pequenos efetivos e baixos encabeçamentos, praticando ainda o cultivo de cereais de inverno, milho, batata outras hortícolas sobretudo para a alimentação de ruminantes e suínos em engorda em pequenas áreas da exploração. Relativamente à fileira do Fumeiro de Montalegre, neste momento esta atividade é considerada como uma fonte secundária de rendimento do agregado familiar, embora esteja a ganhar importância de ano para ano. São explorações que em termos médios produzem cerca de 15 a 20 suínos por ano com vista à sua transformação em fumeiro tradicional característico de Barroso, comercializado quase totalmente diretamente ao consumidor final, na Feira do Fumeiro e Presunto de Montalegre e noutros eventos similares em concelhos limítrofes. São produções e unidades de fabrico de pequena dimensão, estabelecimentos licenciados ao abrigo do SIR – Sistema de Indústria Responsável, utilizando matérias-primas locais e o saber fazer ancestral / artesanal.
Não é fácil quantificar com exatidão os valores económicos que traduzem esta atividade, mas tendo em conta que Montalegre é um território de base rural, mas com solos de montanha pobres e declivosos, baixa SAU – Superfície Agrícola Utilizável, clima agreste com temperaturas muito frias no inverno, fatores que de forma geral condicionam muito as atividades económicas, resta aproveitar a qualidade ambiental do território como por exemplo a ausência de poluição do ar, do solo e das linhas de água, o Parque Nacional da Peneda do Gerês onde Montalegre também se insere. Todos estes fatores limitam a diversidade de atividades económicas principalmente no setor primário, mas por outro lado conferem uma qualidade sem igual aos produtos locais onde o Fumeiro assume destaque. A comercialização do fumeiro de Montalegre tem sido concretizada através de cadeias curtas diretamente ao consumidor final, e tem assumido um papel importantíssimo para a dinamização de outros negócios, sobretudo a oferta turística do concelho.

“Podemos afirmar que hoje todos os Portugueses no país e no estrangeiro já ouviram falar em Montalegre, provavelmente o motivo que está por detrás da divulgação de Montalegre é precisamente a qualidade do seu fumeiro que neste momento é produzido por cerca de 100 microempresas artesanais”.

 


Feira do Fumeiro e Presunto  de Montalegre

A Feira do Fumeiro e Presunto de Montalegre teve em 1991 a sua primeira edição e hoje é a montra do que melhor se faz no concelho de Montalegre.
A edição de 2018, que terá lugar nos dias 25 a 28 de janeiro, vai contar com cerca de 130 expositores, dos quais uma centena relativos a fumeiro e os restantes de outros produtos locais como por exemplo o Mel de Urze, produtos tradicionais da panificação como o Pão Centeio de Barroso, as chamadas Bolas de Carne, o Folar, os Licores e compotas regionais, e até mesmo algumas ervas aromáticas e medicinais da região. A Feira tem lugar no Pavilhão Multiusos de Montalegre, onde os produtores de fumeiro estarão expostos no recinto principal. Num espaço contíguo denominado “Praça dos Petiscos”, será possível degustar os melhores petiscos da região e também adquirir alguns produtos, ao mesmo tempo que se vivem momentos de animação.


Para ler na íntegra  na Voz do Campo n.º  211 (janeiro 2018)