Cereais Evento

Boas produtividades não impediram que os baixos preços prejudicassem os produtores

2018 é ano de Colóquio Nacional do Milho, uma iniciativa da Associação Nacional de Milho e Sorgo – Anpromis – agendada para 7 de fevereiro, no Hotel Axis Vermar, na Póvoa de Varzim. Ponto de encontro obrigatório para produtores de milho, técnicos e empresas do setor agrícola. A 9ª edição do Colóquio Nacional do Milho contará com três painéis de debate sobre os temas: “Os desafios técnicos da produção de milho silagem em Portugal”; “O Mercado Mundial do Leite: situação atual e perspetivas futuras” e “A Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais”, além de uma palestra sobre “A importância do milho no desenvolvimento socioeconómico do nosso país”. Para sabermos mais sobre o evento e a fileira do milho falámos com Tiago Silva Pinto, secretário-geral da Anpromis.

Que balanço faz do ano agrícola?
O ano agrícola de 2017 ficou marcado por duas realidades bastante distintas – por um lado obtivemos produtividades médias por hectare bastante satisfatórias, mas por outro os baixos preços pagos à produção penalizaram muito seriamente o rendimento dos produtores nacionais de milho. Os sucessivos recordes de produção que se têm verificado nos principais países produtores arrastaram, uma vez mais, as cotações deste cereal para valores que colocam em causa a competitividade desta cultura nos países do Sul da Europa. Urge pois, criar condições no âmbito da Política Agrícola Comum pós 2020, que permita que os produtores destes Estados-membros mantenham a sua atividade de uma forma sustentável e duradoura.

Qual o impacto das alterações climáticas na cultura do milho?
Antes de mais, importa realçar que as alterações climáticas são uma realidade indesmentível e que segundo os estudos disponíveis, os países mediterrânicos vão ser dos mais afetados da Europa. A crescente irregularidade na precipitação, que se traduz em longos períodos de seca, como o que atravessamos atualmente, alterna com fases em que as chuvas são muito intensas e concentradas. Esta nova realidade vai condicionar a produção agrícola, urge assim estudar a melhor forma de nos adaptarmos a estas novas condições de produção.

Como é que os produtores estão a lidar com a situação de falta de água?
A seca que está a assolar o nosso país tem-se feito sentir por todo o território português, com sérias implicações na agricultura nacional. Nas explorações localizadas a Sul, a falta de precipitação que dura há já dois anos, não tem permitido repor as necessárias reservas de água da maioria das barragens privadas, impossibilitando a instalação das culturas regadas. Esta limitação penalizou de forma muito sensível a área de milho instalada no Alentejo em 2017, tendo alguns agricultores tido que optar por cereais menos exigentes em água.

Qual o trabalho que está a ser desenvolvido na Estação Experimental António Teixeira?
A Estação Experimental António Teixeira tem por objetivo constituir-se como um centro de investigação e inovação onde os produtores nacionais de milho possam rever-se. O trabalho efetuado nos últimos três anos tem passado por revitalizar este espaço dando-lhe a dinâmica que teve num passado já longínquo e que importa agora retomar. Desta forma, foi fundamental o protocolo estabelecido no ano passado entre a Anpromis, o Iniav e a Câmara Municipal de Coruche e mais trinta parceiros, que levou à criação do InovMilho “Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo”. Este ano foi de igual modo assinado um protocolo entre o Iniav e a Câmara Municipal de Coruche que tem por objetivo recuperar as instalações existentes neste espaço, montando uma sala de formação para os agricultores e técnicos agrícolas locais e nacionais. Este investimento é para nós fundamental, pois acreditamos que muito do sucesso deste Centro passará pela dinâmica que conseguirmos criar à sua volta, nomeadamente pela promoção de ações que permitam contribuir para a competitividade técnica dos produtores nacionais de milho e sorgo.

Para ler na integra na Voz do Campo n.º 211 (janeiro 2018)