Agropecuária

Maior incorporação de milho silagem no arraçoamento diário das explorações leiteiras estabiliza produção

Pedro Pimenta é produtor de leite, diretor da Anpromis e presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra. A sua exploração, Quinta da Cioga, situa-se junto a Coimbra e nela produz-se leite (1000 ton/ano com cerca de 90 vacas à ordenha num efetivo que ronda os 180 animais) como atividade principal e o milho grão (250 ton/ano) em regime complementar. Explora cerca de 40 hectares no Vale Mondego onde o milho como cultura principal durante a primavera/verão é a base desta exploração familiar.

O produtor explica à nossa reportagem que o milho silagem para a produção de leite é a forragem de excelência pelo aporte energético (mas não só) que fornece à alimentação diária de uma vaca leiteira (35Kg/vaca/dia) que se quer com “saúde ruminal” para produzir muito leite de qualidade. Por esta razão, diz, “os produtores de leite procuram milhos com bom/saudável vigor vegetativo, bem equilibrados de inserção da espiga para poder evitar acamas, e bastante produtivos de grão que se traduzirão em silagens ricas em amido (energéticas) e de boa digestibilidade”. Depois será procurar o ponto ótimo de colheita (grão pastoso) e acondiciona-lo em bons silos devidamente calcados e fechados para que possa ocorrer um boa fermentação na ausência de oxigénio.

Hoje já só somos a “nata da nata” dos muitos produtores de leite que foram abandonando a atividade 

Sobre o setor leiteiro, Pedro Pimenta admite que nos últimos anos tem passado pela pior crise de que há memória em Portugal. “Hoje já só somos a “nata da nata” dos muitos produtores de leite que foram abandonando a atividade, no entanto a área de milho silagem tem-se mantido constante em torno dos 50 mil hectares nos últimos anos. A meu ver a razão para esta estabilidade prende-se com a elevada qualidade desta forragem, insubstituível no arraçoamento diário da exploração, e que tem sido de alguma forma incrementada na dieta da vaca leiteira por parte dos nutricionistas por forma a reduzir o custo alimentar diário da vaca leiteira, fundamental na ultrapassagem desta crise”.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 2011 (janeiro 2018)