Olival & Azeite

“Seguramente, uma produção acima das 100 mil toneladas”

Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite – Associação do Azeite de Portugal – faz-nos um retrato da campanha que, ao que tudo indica, é de resultados muito positivos.

Qual é o balanço que pode ser feito da quantidade de azeitona produzida no país?
Embora as primeiras previsões para a produção da presente campanha (que se iniciou em outubro) apontassem para um valor de produção relativamente modesto quando comparado com o potencial de produção já instalado em Portugal, os dados disponíveis a esta altura apontam para uma elevada produção de azeitona em Portugal, talvez uma das maiores das últimas décadas. Na verdade, para além desta campanha ser uma campanha de safra (tradicionalmente, a uma campanha de contra-safra, ou seja, de baixa produção, como foi a campanha passada, segue-se um ano de grande produção, ou de safra) o impacto da seca não foi suficiente para afetar de forma muito significativa a excelente floração e vingamento dos frutos a que se assistiu este ano. Para além disso, o rendimento da azeitona (quantidade de azeite produzido por quilo de azeitona laborada) tem estado bastante acima do normal, portanto, nesta altura estima-se uma elevada produção de azeite em Portugal, seguramente acima das 100.000 toneladas.

O azeite obtido está a corresponder à qualidade expectada?
Segundo as últimas informações disponíveis, a qualidade do azeite produzido na presente campanha  é bastante boa. A falta de humidade atmosférica no final da maturação do fruto acabou por ter um efeito positivo na qualidade da azeitona, pois não surgiram algumas pragas e doenças típicas desta cultura em determinados anos – como a gafa, por exemplo – que acabam por afetar muito a qualidade do azeite.
Na realidade, a qualidade média do azeite produzido em Portugal tem vindo a aumentar de forma muito expressiva nos últimos anos, devido não só a um maior cuidado com os olivais, particularmente nas novas áreas de regadio, mas também porque tem vindo a ser realizados grandes investimentos em novos e modernos lagares, que preservam a qualidade da azeitona e permitem a produção de azeite da mais elevada qualidade.

Se a seca persistir durante a próxima primavera, por exemplo, aí sim, creio que já haverá efeitos negativos substanciais para a próxima campanha

Que impacto teve a situação de seca que o país atravessou (e atravessa)?
Como já atrás se referiu, a situação de seca que o país atravessou (e atravessa) acabou por não ter um efeito muito negativo na produção de azeite. Se a seca persistir durante a próxima primavera, por exemplo, aí sim, creio que já haverá efeitos negativos substanciais para a próxima campanha. Mas a produção desta campanha, apesar da seca e de outros fatores negativos, como os incêndios no centro do país, acabará por ser uma produção elevada.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 211 (janeiro 2018)

Foto: Casa do Azeite