Opinião

A Agricultura de Precisão tem vindo a aumentar de interesse

O conceito da Agricultura de Precisão começou a ser divulgado em Portugal no início dos anos 2000 em eventos de divulgação técnica. Na altura ainda havia pouco conhecimento e apoio de parte dos representantes nacionais de equipamento, nomeadamente de máquinas de colheita e distribuição e também da comunidade académica.

Posteriormente, começam a ser divulgados projetos técnico-científicos e de demonstração em parcerias entre o ensino superior e as empresas e o interesse do setor foi aumentando. Após 2010 algumas empresas vitivinícolas começaram a utilizar cartas NDVI na gestão da vindima. A adoção nas culturas arvenses começa posteriormente em 2013/2014 e atualmente são os subsetores mais dinâmicos (existem mais de duas dezenas de ceifeiras equipadas com monitor e gps, a maior em prestadores de serviços). A disponibilização das imagens do Sentinel de forma mais regular em 2016 levou a que se iniciassem aplicações comerciais noutras áreas nomeadamente no olival, nas fruteiras e no tomate. A par disso também os levantamentos de condutividade elétrica se tornaram mais comuns e disponíveis no mercado.

Depois há produtos / serviços associados à agricultura de precisão com taxas de adoção elevadíssimas (centenas de equipamentos ao serviço da nossa agricultura) como a condução assistida e automática por GPS em distribuidores de adubo, semeadores, pulverizadores e até ceifeiras-debulhadoras. A adoção de plataformas de monitorização das culturas (CMS – Crop monitoring systems) com recurso a dados de deteção remota obtidas “drones”, aviões ou satélites e disponibilizando séries temporais de cartas de índices de vegetação (NDVI e outros) é também muito relevante.

Outras ferramentas que estão a começar a entrar no radar dos agricultores /prestadores de serviços incluem o controlo automático da largura de trabalho (corte de secções) em semeadores, distribuidores de adubo e pulverizadores; as máquinas de distribuição (sobretudo adubo e semente) com tecnologia de taxa variável, VRT, incluindo também os pivots VRI; a sensorização IoT em escala; os sistemas de tráfego controlado; e os softwares de gestão integral da exploração (FMS).

Na sua globalidade o interesse dos empresários é crescente, sobretudo nos últimos cinco anos em que a agricultura de precisão se tornou tema comum nos eventos técnicos e revistas da especialidade. (Continua na versão impressa, edição de dezembro’17)

Ricardo Braga, Investigador e docente no Instituto Superior de Agronomia