Evento realizado Hortofruticultura

Silves debate citricultura num ano em que a falta de água começa a fazer estragos

Que o Algarve é a região de excelência para produção de citrinos em Portugal não é uma novidade, mas que nos últimos anos tem havido um aumento da área média dos pomares e que muitos passaram a ser geridos pelas suas organizações de produtores, talvez já seja.

Esta informação foi-nos avançada na edição de outubro de 2017 por Amílcar Duarte, professor da licenciatura em Agronomia e do mestrado em Hortofruticultura da Universidade do Algarve, num texto onde explicava igualmente que “estas alterações, juntamente com a modernização das centrais, fizeram com que hoje os citrinos produzidos em Portugal tenham um elevado nível de qualidade e uma boa apresentação, o que permite fazer a sua comercialização nos mercados mais exigentes”.

Uma realidade bem conhecida da Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve – CACIAL – que comercializa sobretudo para a grande distribuição em Portugal, para o estrangeiro e para o mercado tradicional, em menor escala, reconhecendo a apetência que existe pelos produtos portugueses a nível internacional e que não pode ser desaproveitada.

O diretor geral da CACIAL, Horácio Ferreira, até admite que a citricultura do Algarve tem evoluído muito “mas é preciso mais para alcançar os níveis de profissionalismo que já existem noutros locais, nomeadamente em Espanha, com introdução de mais técnica”.

Para os cerca de 200 produtores representados nesta estrutura associativa de Almancil a campanha prestes a terminar não está a decorrer da melhor forma. A fruta não está a atingir os calibres desejados pelos mercados e o próprio consumo situa-se abaixo dos valores habituais, por exemplo do ano anterior, restando a esperança de que a campanha de primavera possa trazer algum equilíbrio.

A principal razão apontada para esta situação é a falta de água e, na visão de Horácio Ferreira, é um problema que ainda não atingiu o seu auge porque se entretanto não chover de forma significativa no próximo ano as consequências serão ainda mais gravosas. E falamos de pomares que já são regados.

Segunda edição da Mostra “Silves Capital da Laranja” acontece de 16 a 18 de fevereiro e inclui um ciclo de conferências

É neste contexto que se realiza a segunda edição da Mostra “Silves Capital da Laranja”, de 16 a 18 de fevereiro e que inclui um ciclo de conferências, onde especialistas nacionais e internacionais debaterão temas centrais para a produção e produtores de citrinos. Inserida nessa programação, no dia 16 realiza-se a a “Conferência Laranja XXI” que trará a debate temas como a “Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica”, “Reflexões sobre Desafios de Sustentabilidade para a Citricultura do Algarve”, “O Setor da Produção Citrícola face às Potenciais Ameaças Tyoza erytreae e Xylella fastidiosa”, bem como “O Setor da Proteção das Plantas face à Redução das Substâncias Ativas – a Visão da Indústria no Futuro deste Setor”.

No dia 17 haverá igualmente mais momentos técnicos, nomeadamente: “Gestão e Rega em Laranjal”, “Hemostar proteíco – Novo adubo orgânico líquido ecológico com aminoácidos”, “Fitossanidade de Citrinos – Epik e os Desafios da Citricultura” e ainda “Controlo Biológico em Citrinos”.

A Mostra Silves Capital da Laranja surge na sequência da criação e registo da marca “Silves, Capital da Laranja”, por parte daquele Município algarvio, com o intuito de dar maior notoriedade ao produto laranja, emblemático deste concelho e aos seus produtores, reforçando, no consumidor regional, nacional e internacional, o seu carácter e identidade únicos.
Para a segunda edição da iniciativa está prevista a presença de dezenas de expositores ligados à citricultura, vinhos, agricultura, produtos regionais, doçaria, artesanato e gastronomia, bem com algumas associações e entidades locais e regionais.
Novidade, este ano, será a apresentação de uma “Rota da Laranja”, que a autarquia silvense pretende que venha a tornar-se num importante e estrutural produto turístico, resistente à típica sazonalidade da procura turística que a região conhece, dando a conhecer e contribuindo para a dinamização de um produto identitário e de excelência do concelho.