Grande Entrevista

Victor Araújo: presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais

Lusoflora Summit quer demonstrar como o mundo digital e as novas tecnologias ajudam as empresas a crescerem

É já nos próximos dias 23 e 24 de fevereiro que o Cnema, em Santarém, vai ser palco da 31.ª edição da Lusoflora, que este ano assume um papel preponderante na produção nacional, com o tema “Inovação e Sustentabilidade”. A Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais (APPPFN), responsável pela organização desta iniciativa, define também que esta edição significa um ponto de viragem para uma “nova Lusoflora”, mais profissional e digital, condizente com um setor em recuperação e crescimento, que em 2016 apresentou um volume de negócios anual na ordem dos 460 milhões de euros.
Foi sobre estes temas, as preocupações e desafios que o setor enfrenta que estivemos à conversa com o presidente da APPPFN, Victor Araújo.

Como se define hoje a APPPFN?
A nossa Associação procura estar atenta aos problemas nos seus associados, tentando dar-lhes resposta, assim como representar cerca de 80% do setor perante as entidades oficiais.

Quantos associados representa?
A APPPFN tem cerca de 200 associados a nível nacional.

Como é que estes se caracterizam (empresas, produtores individuais …)?
A nossa Associação integra viveiristas, produtores de plantas ornamentais, árvores e arbustos, fruteiras, florestais, relvas, aromáticas e produtores de flor e folhagens de corte.  As suas dimensões variam desde grandes empresas, com mais de 30 ha de estufas,  até a empresas familiares.

Qual a área total de produção a nível nacional?
Em 2012 existiam cerca de 1500 hectares de produção de ornamentais, dos quais mais de 1/3 em estufa. A zona do Montijo e Alcochete concentra a maior área de produção em estufas do país.

Qual ou quais são as regiões mais representativas em termos produtivos?
Existem produtores de ornamentais praticamente em todas as regiões do país, mas com maior representatividade, e em termos da flor de corte, apresenta-se a região do Montijo, já os viveiristas situam-se no norte e a sul e na Costa Vicentina destacam-se as ornamentais produzidas ao ar livre.

É um setor em recuperação e crescimento, dinâmico, que apresentou um volume de negócios anual na ordem dos 460 milhões de euros.

Economicamente, quanto é que este setor representa hoje para Portugal?
Segundo o Ministério da Agricultura, em 2016 ocorreu um crescimento das exportações de 22% relativamente ao mesmo período de 2015, bastante acima da média de 4% de anos anteriores. É um setor em recuperação e crescimento, dinâmico, que apresentou um volume de negócios anual na ordem dos 460 milhões de euros.

Quanto aos setores que a Associação representa, quais são as principais diferenças? Tanto na produção como nos mercados.
As diferenças mais significativas do nosso setor prende-se com o facto de ser o setor agrícola que mais mão de obra assalariada (não familiar) emprega por hectare, em média sete pessoas. É um dos setores agrícolas que mais tem crescido nos últimos anos e que mais tem substituído as importações pelas exportações. (Redução de 30% das importações e aumento de 10% das exportações).

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 212 (fevereiro 2018)