Hortofruticultura

Uso de filmes refletivos para aumento da coloração e qualidade de maçãs ‘Fuji’

No âmbito da segunda Sessão de Divulgação em Fruticultura realizada na Estação Nacional de Fruticultura Vieira Natividade, Miguel Leão, investigador do INIAV, I.P na área da produção de pomóideas e ecofisiologia, apresentou resultados preliminares do uso de filmes refletivos na distribuição de luz, coloração e qualidade de maçãs ‘Fuji’. Este trabalho surgiu no seguimento de um protocolo celebrado com uma empresa do setor, Engricola – Actividades Agrícolas, Lda, que permitiu a realização de ensaios nos seus pomares, devidamente enquadrados na estratégia desta estação, fortemente empenhada na investigação aplicada às necessidades do setor. Miguel Leão começou por explicar os processos bioquímicos envolvidos na formação da cor vermelha das maçãs, a sua interação com os fatores ambientais e as limitações induzidas pelos verões quentes e secos característicos dos países mediterrânicos, cuja tecnologia e gestão integrada do pomar, urgem contrariar. Foi realçada a rápida alteração do mercado, com forte procura por frutos de variedades vermelhas e bicolores com coloração total, desvalorizando outros com igual calibre, textura e sabor mas nível de coloração inferior, exigindo-se uma rápida reação com a alteração de itinerários técnicos e introdução de novas tecnologias de produção. O uso de filmes refletivos é uma das tecnologias em teste, potenciando o uso da luz (recurso em que Portugal apresenta fortes vantagens competitivas, ainda que deficientemente exploradas) pelo aumento da sua disponibilidade no interior do coberto vegetal. O filme utilizado, colocado em linhas alternadas a 50 cm do tronco, permitiu um aumento significativo da radiação PAR (radiação fotossinteticamente ativa) refletida para o interior do coberto, especialmente no lado onde foi colocado, tendo ainda sido notório o contributo da radiação refletida lateralmente no lado contrário ao da colocação do filme.

Os resultados preliminares destes ensaios mostraram ainda diferenças nas taxas fotossintéticas, peso médio por fruto, firmeza, brix e, especialmente, na coloração, com os frutos interiores das linhas com filme a apresentarem colorações semelhantes aos frutos exteriores das linhas sem filme. Foram várias as potencialidades apresentadas por este investigador para o uso desta tecnologia, tendo sido lançado o desafio a empresas, nacionais ou internacionais, produtoras ou comercializadoras de filmes, a trabalhar em parceria com esta estação para desenvolver as soluções que melhor possam servir a fruticultura nacional.