Grande Entrevista

José Núncio: Presidente da Fenareg

“Temos de tomar medidas de fundo que no futuro nos permitam ser mais resilientes às situações de seca”

A Federação Nacional de Regantes de Portugal nasceu da necessidade que as entidades do regadio organizado sentiram em contarem com uma instituição que defendesse os seus interesses de forma global e concertada. Foi fundada em 2005 com o objetivo da defesa e do desenvolvimento do regadio, como uma associação sem fins lucrativos, de âmbito nacional, tendo em 2010 sido reconhecida como associação de utilidade pública.
Atualmente a Federação reúne 27 associados: 23 Associações de Regantes, 3 Juntas de Regantes e 1 Federação Regional. Representa mais de 25 mil agricultores regantes e cerca de 126.000 hectares, o que significa mais de 90% do regadio organizado nacional. A FENAREG continua a desenvolver esforços no sentido de cativar outras organizações ligadas ao setor, com o objetivo de aumentar a representatividade do regadio e dar voz, a nível nacional, aos interesses comuns do regadio.
Por outro lado, no passado dia 20 de março, foi formalmente apresentada às instituições em Bruxelas, a Irrigants D’Europe – Organização Europeia do Regadio – tendo recaído sobre a FENAREG a tarefa e responsabilidade de representar Portugal e assumir presidência dos Irrigants D’Europe durante este primeiro mandato.
Numa altura em mais do que nunca o nosso país está a ganhar consciência dos efeitos das alterações climáticas, particularmente visíveis na falta de água, falámos com o presidente da Fenareg, José Núncio, sobre estes e muitos outros temas.

Como é que caracteriza o regadio português? Qual foi a evolução nos últimos 20-30 anos? Em que estado se encontra?
O regadio sofreu uma evolução tecnológica extraordinária. A agricultura transformou-se para ser mais competitiva e adaptar-se às alterações climáticas – e isso passa pelo regadio. Atualmente mais de metade das nossas explorações agrícolas dependem do regadio.
Nos 540.000 ha de área de regadio nacional, é de assinalar que 75% utiliza rega sob pressão (aspersão, micro-aspersão, gota a gota e subterrânea). Isto significa que, a nível mundial estamos entre os países lideres em regadio eficiente, como Israel e Espanha.
Na última década o setor aumentou em 70% a produtividade da água. O investimento na modernização e na reabilitação dos nossos sistemas de regadio conduziram, nas últimas décadas, a uma redução de 50% no consumo unitário de água por hectare regado.
Contudo, esta mudança traduz-se num aumento significativo do consumo de energia que representa atualmente, em média, cerca de 30 a 40% dos custos operacionais. Em alguns Aproveitamentos Hidroagrícolas, o custo da energia pode chegar a representar cerca de 70% do preço da água para rega.

“Reduzir a fatura da energia no regadio, é assim uma das prioridades atuais do setor”

Em 2017 foi fundada a Irrigants D’Europe – Organização Europeia do Regadio – , da qual a FENAREG neste momento é presidente. Quais são os principais projetos e propostas desta organização?
Portugal teve a honra de receber a cerimónia da assinatura de constituição da associação Irrigants D’Europe em junho de 2017 que no passado dia 20 de março, foi formalmente apresentada às instituições em Bruxelas, tendo recaído sobre a FENAREG tarefa e responsabilidade de representar Portugal e assumira sua presidência durante este primeiro mandato. Os fundadores são associações de âmbito nacional, encarregues da gestão da água nos Estados-Membros onde o regadio é mais expressivo. A Irrigants D’Europe reúne já 75% da área de regadio na Europa, 7,7 em 10,2 milhões de hectares de regadio, cuja maior parte é gerida diariamente pelas organizações de beneficiários associados.
O foco a médio e longo prazo dos envolvidos é assegurar uma estratégia conjunta na Europa orientada para o aumento de regadio e das suas comunidades, que permita evolução da atividade, assente na gestão sustentável e na promoção e na competitividade do setor.

Para ler na íntegra na edição 214 (abril 208)