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Nova vida para os resíduos juntou empresas e entidades numa dinâmica de partilha

A NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém e a CIMLT – Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo fomentaram a interação e comunhão de conhecimentos entre os participantes no workshop “Resíduos são Receitas Extraordinárias”. A inclusão das temáticas da circularidade e sustentabilidade no seio da indústria agroalimentar é premente para uma melhor rentabilidade das empresas.

Com a emergência da circularidade, urge a necessidade de dotar as organizações de ferramentas e conhecimentos para as auxiliar a rentabilizar resíduos, que por sua vez podem reverter em aumento de recursos.

No passado dia 28 de março decorreu na Startup Santarém o workshop com epicentro na economia circular e na circularidade agroindustrial pelas mãos da NERSANT e da CIMLT. Marco Alves, da Rácios Múltiplos, apresentou aos participantes alguns exemplos de grandes marcas de renome mundial que estão a apostar em retirar tudo o que não é natural dos seus produtos no mercado. Foram apresentados exemplos de empresas que estão a apostar na reformulação de receitas onde nitritos, nitratos e conservantes são substituídos por ingredientes biológicos e especiarias, que proporcionam a mesma textura, cor e sabor dos produtos já comercializados. “Estamos ainda no início, o mercado ainda não está saturado e o biológico pode ser dourado”, explica.

Foram ainda expostas algumas ferramentas que visam apoiar as empresas na jornada da economia circular como a Magnomics, que consegue identificar bactérias e genes resistentes a antibióticos na carne em apenas 3 horas e com isso proporcionar maior segurança e qualidade dos produtos. Outra ferramenta foi o Circular Design Guide, um guia para ajudar os “inovadores” a criar soluções mais eficazes e criativas para a economia circular e também uma base de dados que permite ser uma inspiração para deixar de utilizar químicos, uma vez que permite encontrar estratégias biológicas, ideias e recursos relativos aos desafios de inovação, a Ask Nature.

Foi ainda proposto neste workshop, um exercício prático aos participantes, com o intuito de fomentar a dinâmica e sinergias entre as entidades presentes e as empresas sob o tema da circularidade e do aproveitamento de resíduos. O desafio apresentado implicava ter uma indústria como referência e responder a algumas perguntas como: Que resíduos são produzidos? Em que produtos comercializáveis podem ser transformados? Que aproveitamento podem ter noutras indústrias? Podem ser reciclados e retornar à biosfera como nutrientes? Para o CEO da AEPR – Associação Eco Parque do Relvão, já em conversações com um perito em Economia Circular em Bruxelas, “gosto de falar em menos custo e não em receitas extraordinárias”, enfatizando a redução de custos em detrimento do aumento da rentabilidade. Por sua vez, o Presidente do Agrocluster, Carlos Lopes de Sousa defende “o reaproveitamento de combustíveis derivados de resíduos”. A resposta às questões apresentadas possibilitou o debate, o conhecimento da legislação vigente e outras reutilizações para os resíduos.

De referir que o projeto Lezíria+Sustentável visa melhorar e reforçar a envolvente externa às empresas, em particular melhorando as condições para a criação de modelos de negócios mais sustentáveis, com base no desenvolvimento de fatores imateriais de competitividade de natureza coletiva e na disponibilização de bens públicos capazes de induzir efeitos de arrastamento na economia através da disponibilização de informação relevante, da identificação de riscos e oportunidades e da indução da inovação na forma de atuar relativamente à sustentabilidade, deixando a reatividade e apostando na pro-atividade através da criação de produtos, serviços e modelos de negócio onde a sustentabilidade é vista como um fator de criação de valor e não como um constrangimento. É um projeto financiado pelo Alentejo 2020 no âmbito dos fundos comunitários.