Agropecuária Opinião

“As raças autóctones assumem destaque”

“As raças autóctones em Portugal têm assumido ao longo dos anos cada vez maior destaque, não só na produção de carne de qualidade, como também na fixação de pessoas nas zonas mais interiores do país contribuindo desta forma para que a desertificação não seja ainda mais marcante, ao mesmo tempo que representa uma fonte de rendimento para muitas famílias.

A raça Arouquesa, com a qualidade da carne que lhe é justamente reconhecida, tem contribuído em muito para a valorização das raças autóctones portuguesas.

Dado que o sistema de criação é extensivo e que a alimentação provém essencialmente de pastagens, maioritariamente montes e baldios, será então possível melhorar alguns aspetos da qualidade da carne e na produção do leite?

A disponibilidade forrageira é muito variável ao longo do ano. A produção forrageira no outono/inverno será mais proteica enquanto a produção na primavera/verão tende a ser mais fibrosa.

Como há um complemento de concentrado, vulgo ração, por forma a suplementar nutricionalmente os animais, a sua formulação poderá ser ajustada por forma a melhor suprir as necessidades das vacas em cada momento.

Quer isto dizer que mediante o tipo de forragens que estejam disponíveis para a alimentação, a ração deveria ajustarse à realidade forrageira para, desta forma, quando as forragens forem mais proteicas a ração ser mais energética e, em sentido inverso, quando as forragens forem mais fibrosas a ração ser mais proteica”.

Filipe Martins, Nutrinova