Hortofruticultura

Dentro de quatro anos o abacate pode duplicar no Algarve

Embora o forte da produção de abacate seja o Sul da América, também gosta do clima temperado do Algarve onde nos últimos anos tem vindo a conquistar produtores e hectares. As perpetivas são de que em quatro anos as atuais 5106 toneladas venham a duplicar.

A paisagem agrícola do nosso país tem mudado bastante nos últimos anos de Norte a Sul e, particularmente no Algarve, há uma cultura que tem vindo a ganhar expressão, o abacate. Embora seja um fruto exótico, originário da América do Sul, também tolera climas subtropicais e mediterrânicos, como é o caso. Muito na moda, por lhe serem reconhecidos vários benefícios para a saúde, como ser muito rico em gorduras monoinsaturadas, está em expansão um pouco por todo o mundo, com a procura muito superior à oferta.
De acordo com Fernando Severino, Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, neste momento a região contabiliza 855 hectares desta cultura, esperando-se que até final do ano atinja 1133. A produção é de 5106 toneladas, prevendo-se que daqui a quatro anos estes números dupliquem. Olha para a cultura com otimismo dado que estão reunidas as condições para a sua expansão ainda mais com o recente anúncio da instalação em Tavira de uma filial da TROPS, uma Organização espanhola de Produtores de Frutas e Hortaliças da região de Málaga, fortemente ligada ao abacate.

Falta de plantas disponíveis tem sido um entrave
É de registar no entanto uma dificuldade que é a aquisição de plantas que não corresponde aos pedidos dos produtores. Para já em Portugal não há viveiros desta espécie, restando o recurso a Espanha que está com longas listas de espera. Uma situação que Luís Gonçalves, um dos irmãos sócios da empresa CITAGO, conhece bem. Detentora da maior área contínua de abacateiros da Europa a empresa tem plantas encomendadas que só vai receber daqui a dois anos. São 76 hectares na região de Loulé que vão entrar em plena produção dentro de quatro anos mas que já tem escoamento assegurado também através da TROPS que segundo o empresário conta com 26 produtores algarvios associados e que significam qualquer coisa como 600 hectares.
Questionado sobre o apoio aos produtores no âmbito do próximo Quadro Comunitário de Apoio, o Diretor da DRAP Algarve não adianta pormenores porque ainda não há decisões, mas avança que a evolução da cultura do abacate na região não estará dependente de apoios comunitários porque tem-se verificado que a maior parte do investimento é privado.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 215 (maio 2018)