Olival & Azeite

Grande Reportagem

A última campanha olivícola contrariou as expectativas iniciais e atingiu valores que colocam o volume da produção nacional entre as 125 mil e as 130 mil toneladas (de azeite) agora que são conhecidos os resultados dos inquéritos realizados pelo SIAZ – Sistema de Informação de Azeite e Azeitona de Mesa do Gabinete de Planeamento e Políticas, reportam-se a 137 lagares que responderam ao inquérito, numa amostra de 141 e que representam 90% da produção total nacional deste produto.

Para o atingir este volume de produção, aquele organismo acredita que contribuiu a conjugação de vários fatores, nomeadamente 2017 ter sido um ano de safra e também a seca meteorológica, que se prolongou ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento vegetativo dos olivais, reduzindo em extremo a ocorrência de pragas e de problemas fitossanitários. Além disso o olival de sequeiro está bem adaptado à escassez de água e aumentou a área de olival intensivo e superintensivo em produção, nomeadamente na região Alentejo (olival de regadio). Tudo isto levou a que ao aumento da quantidade total de azeitona colhida e laborada nos lagares e a seca meteorológica, já referida, proporcionou a redução do teor de água nas azeitonas e o aumento do teor de gordura nas mesmas. Assim, o rendimento médio das azeitonas oleificadas foi elevado (16,2%) e significativamente superior aos rendimentos das últimas campanhas.
Os resultados deste inquérito mostram que o peso da região Alentejo na produção nacional de azeite subiu de 75%, na campanha 2016-2017, para 78%, na campanha 2017-2018. Em contrapartida, o peso da região Norte desceu de 15,5% para 11%.
Estes valores estão em sintonia com que se tem passado nos últimos anos, sendo que os dados oficiais (GlobalAgrimar) referem que desde 2000 também as exportações têm aumentado de forma exponencial, com especial destaque para as exportações de azeite virgem extra. Em consequência, a balança comercial atingiu pela primeira vez o saldo positivo em 2011 (50 Milhões de Euros), a que se seguiram 143 em 2014 e 124 em 2015.
Portugal é um dos atores deste crescimento mas não é só na produção que há preocupação e investimento. É toda uma fileira em ebulição que tem trazido para a ordem do dia projetos inovadores, estratégias diferenciadoras, preocupações ambientais (…) mais do que nunca mediatizadas com a escolha deste como tema central da 55.ª edição da Feira Nacional de Agricultura que se realiza em Santarém entre os dias 2 e 10 de junho.

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Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 216 (maio 2018)