Agrociência Hortofruticultura

Plantas tray de morangueiro

Maria da Graça Palha1, Teresa Valdiviesso1, André Vieira1,2 & Lígia de Jesus3

Introdução
Ao longo das últimas décadas a evolução das tecnologias de produção a par da diversificação varietal conduziu ao aparecimento de diversos tipos de materiais de propagação vegetativa de morangueiro com objetivo de prolongar o período de produção e também como forma de produzir em determinadas épocas de ano quando o fruto é mais valorizado. Associada aos diversos sistemas de produção que existem na cultura do morangueiro, hoje a produção deste pequeno fruto ocorre durante o ano inteiro.
De entre a multiplicidade de tipos de planta disponíveis no mercado, as plantas ‘tray’ (Fig.1) têm vindo a generalizar-se nas plantações do morango em substrato para produção fora-de-época pelo seu grande potencial reprodutivo e produtivo.
São largamente utilizadas em vários países produtores de morango tais como Holanda, França, Reino Unido e Itália, sendo o seu uso em Portugal, ainda pouco expressivo.

Plantas tray
As plantas tray são plantas de raiz protegida, que são propagadas em tabuleiros alveolados ou em vasos e são comercializadas como plantas frescas ou frigoconservadas.
São várias as vantagens que as plantas tray apresentam em relação às plantas de raiz nua produzidas no solo: 1) maior qualidade sanitária, por serem produzidas em substratos orgânicos (isentas de doenças e pragas do solo); 2) maior uniformidade das plantas; 3) melhor qualidade vegetativa, traduzida pelo maior porte da planta (diâmetro da coroa, número de folhas e sistema radicular maiores); e 4) maior potencial reprodutivo (maior número de flores diferenciadas).
A utilização de plantas tray reflete-se num melhor estabelecimento da cultura, a crise de transplantação é quase nula, na facilidade de plantação, na redução do volume de água de rega durante o estabelecimento da cultura e possibilidade de antecipar a data de plantação, nomeadamente com plantas frigoconservadas. No entanto, o seu custo é elevado, entre 3 a 4 vezes superior ao das plantas de raiz nua.
O potencial produtivo das plantas tray é preparado no outono do ano anterior ao do ano de produção, ou seja, durante a fase de propagação no viveiro (Fig. 2). É nesta fase que se desencadeia o processo de iniciação floral na planta, com o decrescer das temperaturas e do fotoperíodo (dias-curtos). Quando plantadas no final do verão do ano seguinte, estas plantas irão desenvolver o seu potencial reprodutivo emitindo as hastes florais diferenciadas no outono anterior e produzindo frutos durante o outono e inverno (Fig. 2).

A produção de plantas tray é feita a partir de estolhos colhidos das plantas-mãe cultivadas em substrato de meados de julho a meados de agosto e enraizados em placas alveoladas preenchidas com turfa. As placas possuem entre 8 a 9 alvéolos, de forma cónica e com um volume cerca de 300 cc cada (8cm de diâmetro x 9cm de profundidade). As placas são alinhadas com um espaçamento entre linhas de 20 a 25 cm, equivalendo a uma densidade de plantas de 30 a 35 plantas por m2. Durante o outono (setembro e outubro), os novos estolhos são eliminados mecanicamente.
As plantas tray podem ser comercializadas como plantas frescas ou frigoconservadas. No primeiro caso, as plantas são feitas em viveiros de altitude (> 800m de altitude) para a satisfação das necessidades de frio da planta, que varia consoante a variedade e no segundo caso, quando as plantas se encontram dormentes (novembro e dezembro), são colhidas, calibradas e acondicionadas em câmaras de frio a -2 ºC, durante períodos variáveis até à sua comercialização.
As plantas tray possuem coroas entre 12 a 18 mm de diâmetro e produzem entre 35 a 50 frutos por planta. A qualidade da planta varia de ano para ano e difere também com a origem do viveiro, podendo ocorrer uma variação no rendimento da cultura entre 10 a 15%.

1Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P., Oeiras
2Instituto Superior de Agronomia, Lisboa
3Campina Produção Agrícola Lda, Tavira

Para ler na íntegra na Voz do Campo nº 215 (maio 2018)