Hortofruticultura

Vitacress: Especialistas na produção de folhas baby

Em Portugal a Vitacress tem três quintas de produção: no sudoeste alentejano perto de Odemira estão a Quinta da Boavista, com 100 hectares de cultivo maioritariamente de ervas aromáticas e biológicos, e a Quinta da Azenha com 150 hectares de cultivo, onde se produz a maior parte das folhas baby. Já no Algarve situa-se a Quinta de Almancil, com 20 hectares de cultivo de agrião de água e ervas aromáticas em vaso. Cerca de 10% da área de produção Vitacress, ou seja 30 hectares, estão dedicados aos biológicos.
Após a colheita o produto é levado para a unidade de embalamento e distribuição na Boavista dos Pinheiros em Odemira. O diretor-geral da empresa, Luís Mesquita Dias, explica-nos um pouco mais sobre como tudo se processa.

Qual foi a evolução da empresa nos últimos anos?
Desde a sua implementação, em 1980, a Vitacress tem crescido muito em Portugal, passando por marcos importantes, entre eles o início do embalamento de batata em Odemira (em 1994), a aquisição da primeira unidade de lavagem e embalamento (em 2001) e o início da produção biológica (em 2002). Em 2008 o grupo multinacional Vitacress foi adquirido pelo grupo português RAR, passando a ser uma empresa de capital cem por cento português.
Atualmente a Vitacress tem escritórios e unidades de produção em Portugal, Reino Unido, Holanda e Espanha e exporta para vários países da Europa e fora da Europa. Em Portugal conta com áreas maioritariamente de produção ao ar livre (270 hectares) distribuidos por três quintas diferentes, uma unidade de produção e distribuição.

A Vitacress foi de alguma forma responsável pela introdução deste conceito de folhas baby no nosso país. Como é que este processo decorreu em termos de aceitação do consumidor e como está hoje?
A Vitacress é efetivamente um especialista na produção de folhas baby e tem sido o principal responsável pelo desenvolvimento da chamada IV Gama em Portugal, vegetais lavados, embalados e prontos a consumir. As folhas baby são folhas jovens, tenras, nutritivas e muito saborosas. Porque são colhidas inteiras, têm menos pontos de oxidação, mantendo todas as suas propriedades de frescura e sabor por mais tempo.
Ao contrário do mercado de IV Gama em Espanha, onde se consome predominantemente saladas de vegetais cortados, com grande preponderância de folhas como a escarola, radiccio e couve roxa, o consumidor Português tem grande preferência pela folha baby da Vitacress por ser uma folha mais tenra sem caules (vulgarmente designado talos), com menor índice de oxidação e menos amarga que as saladas que se consomem no país vizinho.

Apesar de as saladas à base de baby leaf serem mais caras o consumidor português prefere-as de forma indiscutível.

Este tipo de saladas representam mais de 80% do consumo de saladas em Portugal. As baby leaf também têm vindo a ganhar expressão no mercado Espanhol, sendo cada vez mais comum encontra-las das prateleiras dos supermercados das principais cadeias de Espanha. Nesse país a Vitacress também está presente com a sua marca, detendo significativa expressão com a sua gama de saladas biológicas baby leaf.
Também exportamos baby leaf para diferentes mercados do norte da Europa, mas neste caso trata-se de produto a granel, não lavado, já que o tempo de transporte consumiria grande parte da curta validade, se essas exportações ocorressem em produto pronto a consumir.

Quais as principais culturas e métodos de cultivo?
As principais culturas são “baby leaf”, transversais a praticamente todos os vegetais produzidos, e ervas aromáticas.
Relativamente ao método de cultivo, cultivamos produtos convencionais e biológicos, maioritariamente ao ar livre e através de sementeira direta e com colheita mecânica. Isto não se verifica na produção das ervas aromáticas em vaso e na colheita das ervas aromáticas sem vaso, que por apresentarem características específicas necessitam de processos manuais.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 215 (maio 2018)