Grande Entrevista

Maria do Carmo Martins, presidente da Coop. Agrícola de Alcobaça

“O grande desafio é o das alterações climáticas para o qual temos de olhar com inovação”

Entrou como vogal na anterior direção da Cooperativa Agrícola de Alcobaça, mas nas últimas eleições foi o rosto da equipa vencedora e que assumiu funções no início deste ano.
Maria do Carmo Martins será mais conhecida pelo trabalho que tem desenvolvido no Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional, onde desempenha o cargo de secretária-geral, mas ideias para implementar na Cooperativa não lhe faltam, a si e à sua equipa de “partilha”, como faz questão de frisar.
O denominador comum é a inovação que também se aplica ao facto de ser uma mulher num cargo ainda muito associado ao masculino. Terá sido também essa uma das razões que a levou a avançar e abrir um “precedente” que pode ser um incentivo para que se repita mais vezes.

Explique-nos um pouco melhor quem é a Maria do Carmo Martins.
Sou engenheira agrónoma, formada pelo Instituto Superior de Agronomia, onde fiz mestrado em Economia Agrária e Sociologia Rural. Quando terminei o mestrado envolvi-me imediatamente em projetos de investigação no ISA e passei a lecionar algumas aulas na ESA de Coimbra. À conta da especialização que fiz em agronomia tropical tive oportunidade de conhecer um pouco todo o mundo e até dar aulas na Universidade de Dili, em Timor Leste. Foi aí que conheci o meu marido, também professor, ligado ao Instituto Politécnico de Leiria, o que me fez querer vir mais para o Centro quando regressámos a Portugal.
Foi nessa procura que surgiu a oportunidade de ingressar no Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN), o que me permitiu continuar ligada à vertente académica.
No COTHN iniciei funções de técnica de fruticultura, ocupando a vaga que existia para dar seguimento a alguns projetos, muito relacionados com a Pera Rocha. Entretanto as atividades do COTHN foram crescendo e quando o anterior secretário-geral abraçou outros desafios a direção propôs-me ocupar o cargo, como acontece até hoje.
Além das inúmeras atividades de transferência de conhecimento entre quem o produz e quem o utiliza (academia e a produção), têm sido produzidos vários projetos de investigação aplicada, juntando estas duas esferas.

Como é que surge a ligação à Cooperativa Agrícola de Alcobaça?
Foi no âmbito deste trabalho (transferência de conhecimento) que na altura do seu segundo mandato o anterior presidente da Cooperativa me procurou, pelo reconhecimento do trabalho do COTHN, a que a própria Cooperativa quis associar-se. Depois deste travar de conhecimento a relação foi-se sedimentando e quando no seu último mandato quis criar uma equipa com uma dinâmica diferente, convidou-me para a integrar. Cargo que aceitei em nome individual, mas fruto do trabalho desenvolvido no COTHN e foi esse o cunho que tentei levar para a direção da Cooperativa.

O conhecimento é a chave para os desafios que se colocam à atividade agrícola, que vai permitir aos agricultores serem competitivos e continuarem a trabalhar.

Como é que classifica hoje a relação entre investigação e produção?
Nos últimos dez anos essa relação tornou-se mais fácil e verificou-se uma grande aproximação destas duas esferas, porque os desafios na produção começam a ser cada vez maiores e os produtores, essencialmente os mais profissionais, sentiram necessidade de conseguir resolver os seus problemas.
Do lado da academia também está a verificar-se um esforço grande para que a investigação seja mais orientada para as necessidades da produção.
As próprias opções políticas dos últimos dez anos também foram incentivadoras desta aproximação, nomeadamente em questões como o facto de os projetos não fazerem sentido sem terem empresas envolvidas (…).

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 216 (junho 2018)