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O Projecto MaisMilho: uma contribuição para o estudo da cefalosporiose do milho

A cefalosporiose é uma doença do solo provocada por um fungo, que origina a morte prematura das plantas de milho pela obstrução do seu sistema vascular.
O fungo responsável pela cefalosporiose já teve várias designações, desde Cephalosporium maydis, Harpophora maydis e mais recentemente em 2014 os micologistas deram-lhe o nome de Magnaporthiopsis maydis (Samra, Sabet & Hing.) Klaubauf, Lebrun & Crous. Esta diferente sinonímia pode ter gerado alguma confusão e criado a percepção em alguns técnicos que estávamos perante uma nova espécie do fungo, quiçá mais agressiva.

Distribuição geográfica da doença
A cefalosporiose é uma doença vascular do milho que foi detectada no Egipto em 1960, na India em 1970 e em Israel em 2002, embora neste último caso tenha sido observada desde 1998. Nestes países a cefalosporiose é actualmente considerada uma doença endémica.
A Hungria foi o primeiro país da Europa onde se verificou o aparecimento da doença, em 1998, tendo sido posteriormente detectada em Espanha e em Portugal em 2008, embora no nosso país a primeira observação da doença tenha ocorrido numa zona restrita em 1997, de acordo com informação pessoal.
Uma avaliação dos prejuízos provocados por uma possível introdução da doença nos Estados Unidos da América, mais precisamente no estado do Illinois em 2012/2013, esta seria de 41.3 mil milhões de dólares num período até 2017/2018. Esta grande preocupação económica não será de estranhar, tratando-se do principal exportador mundial de milho.
A instalação da doença num campo pode levar alguns anos, atendendo que a contaminação se faz principalmente pelos resíduos da cultura.
Neste momento não sabemos a abrangência das áreas infectadas, mas haverá alguma possibilidade de que dentro de alguns anos tenhamos uma situação endémica, tal como acontece nos outros países onde a introdução do fungo se verificou há muitos anos.

Sintomas e desenvolvimento da doença
Os sintomas da cefalosporiose do milho são visíveis no início da floração nas variedades sensíveis entre 75 e 85 dias após a sementeira, que progridem das folhas da base para as superiores, até secar toda a planta.
O fungo desenvolve-se nas variedades tolerantes e sensíveis, apenas diferindo entre si pela maior quantidade de fungo produzida nestas últimas.

Perda de produção
Os prejuízos causados pela cefalosporiose estão dependentes da tolerância das variedades a esta doença. Os resultados obtidos variam de ano para ano, atingindo perdas de produção até 59% quando se semeiam variedades sensíveis.
A perda de produção não se limita a estas variedades, também as tolerantes apresentam uma redução da produtividade, embora em menor grau, podendo atingir 2.5 t/ha.
O projecto MaisMilho tem procurado consciencializar os agricultores e os técnicos para esta temática, o que julgamos ter conseguido, havendo no entanto muito trabalho por fazer no âmbito da divulgação.

Projecto MaisMilho
O objectivo inicial do projecto MaisMilho era conhecer a doença e os prejuízos que provocaria, fazendo a sua divulgação junto dos agricultores, de modo a sensibilizá-los para a situação.
Tínhamos conhecimento de que, em países com um longo historial de combate à cefalosporiose, não conheciam técnicas culturais nem produtos que apresentassem uma eficácia aceitável. Por outro lado, todos consideravam que o único meio de controlar a doença seria pela utilização de variedades tolerantes.
Nos primeiros anos testámos nas nossas condições alguns produtos e técnicas culturais, que inicialmente se mostraram promissores, como foram os casos da lavoura, da sacha e do tiofanato-metil, mas infelizmente os resultados obtidos nos anos seguintes não corroboraram as nossas expectativas.
Por outro lado, as variedades tolerantes confirmaram a sua importância na redução dos prejuízos causados por este fungo.

Novo desafio
Em 2017 iniciámos um novo desafio, que era tentar perceber a complexidade desta doença, cientes da dificuldade desta missão e da falta de meios para a executar.

Um artigo da autoria de Manuela Varela – Coordenadora do projeto MaisMilho – para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 216 (junho 2018)
*Escrito ao abrigo do anterior AO