Cereais

Produtores de cerveja querem pelo menos metade da matéria-prima com origem nacional

O Comité de Cevada e Malte dos Cervejeiros de Portugal (associação que reúne os produtores de cerveja nacionais) é um instrumento de estruturação e desenvolvimento da fileira da cevada dística. Foi constituído há 10 anos e é composto pela indústria (estão presentes as duas principais indústrias do setor cervejeiro, a Sociedade Central de Cervejas e o Super Bock Group pois são as que possuem malterias) e a investigação neste caso e desde sempre o INIAV e mais recentemente a ESAB – Escola Superior Agrária de Beja.

Qual é o trabalho desenvolvido pelo Comité de Cevada e Malte dos Cervejeiros de Portugal?
O trabalho desenvolvido visa essencialmente identificar e desenvolver as melhores variedades de cevada dística, com elevado potencial tecnológico para a indústria e ao mesmo tempo com o maior potencial agronómico. Desta forma, estamos a contribuir para o desenvolvimento e fomento da fileira, aumentando o rendimento dos diversos envolvidos. A emissão anual do Boletim do Comité permite ao setor saber quais as variedades aprovadas e em estudo, bem como as especificações de qualidade requeridas.
Anualmente são realizados ensaios no Alto e Baixo Alentejo, quer em micro talhão quer em parcelas maiores, para avaliação de um conjunto de variedades que estejam a ser avaliadas a nível europeu.
Destes ensaios sairão as futuras variedades que a indústria recomenda que produção utilize, sempre com a preocupação que sejam o mais produtivas possível e melhor adaptadas as condições Mediterrânicas, e tecnologicamente úteis para a indústria.
Iniciativas como estas fortaleceram a relação entre a fileira, encontrando melhores soluções para a produção, mas que ao mesmo tempo vão ao encontro das necessidades da indústria.

E o que é que a Lista de Variedades Recomendadas tem trazido para a fileira?
A LVR contida no Boletim do Comité permite uma aproximação cerrada entre a investigação, a produção e a indústria, sendo que o produtor ao utilizar as variedades recomendadas sabe de antemão que a indústria vai comprar a sua produção, desde que cumpridos os requisitos de qualidade. A clarificação das especificações de qualidade assumidas pelo setor contribuem também para esta boa organização da fileira.

Que mudanças se verificaram na produção com a contratação da matéria-prima?
Os modelos de contratação das malterias, sendo diferentes, permitem uma total transparência para as cooperativas ou agricultores, sendo as condições conhecidas em previsão logo no início da campanha. Tal contribui decisivamente para a estabilidade na produção: com isto os produtores estão tranquilos pois quando partem para a preparação da cultura já têm a sua produção vendida ou as condições para a venda definidas.

Qual é o valor da cevada dística nacional utilizado na produção de cerveja?
As necessidades totais de cevada para as Malterias portuguesas são cerca de 120 000 ton/ano. Atualmente, a quota de cevada nacional neste abastecimento está ligeiramente abaixo dos 35%, aproximadamente 40 000 ton/ano.
Não podemos perder de vista as condições de elevada competitividade do mercado global de cereais, situação onde nos encontramos todos, onde é de extrema importância que sejam criadas as condições de competitividade da cultura em Portugal, para que a indústria de futuro possa aumentar o seu grau de aprovisionamento no mercado interno em detrimento do mercado externo.

O que seria o ideal?
Fornecimento em pelo menos 50% das necessidades da indústria, ou seja aumentar das 40 000 para 60 000 ton de cevada/ano.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 216 (junho 2018)